Luiza Maria Carvalho de Oliveira descobriu no fim de agosto que o filho Luiz Miguel, de 8 anos, não teria mais a profissional de apoio especializado na escola municipal de Paulínia (SP) Márcio de Campos/EPTV A falta de profissionais de apoio em escolas municipais de Paulínia (SP) tem impedido que crianças com deficiência frequentem as salas de aula. Mães relatam que os cadernos continuam em branco porque os filhos precisam ficar em casa devido à ausência de acompanhamento especializado. A Prefeitura de Paulínia informa que os profissionais de apoio atendem cerca de 360 dos 816 estudantes com deficiência matriculados na rede municipal, e que um novo processo seletivo foi realizado com o objetivo de regularizar o quadro de atendimento em 2027 - leia mais abaixo. O estudante Luiz Miguel, de 8 anos, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) com nível 3 de suporte, necessita de apoio no dia a dia e não utiliza a fala para se comunicar. Matriculado no 2º ano da Escola Municipal Yolanda Tiziani Pazetti, o menino contava com uma professora de apoio até o ano passado. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A mãe do aluno, a dona de casa Luiza Maria Carvalho de Oliveira, conta que descobriu no fim de agosto que o filho não teria mais a profissional. Após procurar a direção da unidade, ela foi informada de que a escola não forneceria professores de apoio para Luiz Miguel neste ano. Sem a assistência necessária, ela parou de levar a criança ao colégio. "Eu fico desesperada, sem saber o que fazer. Eu não levo meu filho na escola, não vou levar de jeito nenhum para brincar. O menino colocava ele na cadeira de rodas e ficava rodando lá para ele se acamar. Isso não é justo. Cadê a lei que diz que as crianças autistas precisam de professor de apoio?", questiona. Síndrome rara A estudante Tiffany, também de 8 anos, foi diagnosticada ao nascer com a síndrome de Charge, uma condição genética rara que pode comprometer a visão, audição, respiração e o desenvolvimento geral. Até maio deste ano, a mãe de Tiffany, a dona de casa Driele Aparecida da Silva, acompanhava a filha presencialmente dentro da Escola Municipal Professora Elvira de Cássia Oliveira. No entanto, com o nascimento do segundo filho, a rotina tornou-se inviável. Ela informa que a prefeitura chegou a disponibilizar profissionais para auxiliar nos estudos em casa, mas a menina segue sem frequentar o colégio presencialmente por faltar um profissional de saúde no local. "A Tiffany tem traqueostomia, que devido às questões da própria condição ela precisou fazer, e ela se alimenta também com uma sonda. Então são dois dispositivos que realmente necessitam de ter um profissional de saúde fazendo esse acompanhamento dela", diz. Segundo Driele, desde 2022 a família luta com a Prefeitura para tentar esse profissional para a menina. "Hoje o principal impasse é esse, é não ter esse profissional na escola." Driele Aparecida da Silva acompanhava a filha presencialmente dentro da escola até maio deste ano, mas após o nascimento do segundo filho, a rotina tornou-se inviável; sem o profissional de apoio, a menina deixou de ir até a escola Márcio de Campos/EPTV Direito garantido A presidente da Comissão de Direitos das Pessoas com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Vivian Regina de Carvalho Camargo, explica que o Estatuto da Pessoa com Deficiência garante que a educação é um direito de todos e obriga o poder público a oferecer um sistema inclusivo em todos os níveis. "A ausência do profissional de apoio. Se a pessoa não tiver condições de contratar um advogado particular, ela deve recorrer ao Ministério Público e à Defensoria Pública. E a ausência, quando necessário, a presença realmente de um profissional de apoio, ela pode caracterizar inclusive uma medida de discriminação que também está contemplado na Lei Brasileira de Inclusão e essa recusa é punida por crime", afirma. LEIA TAMBÉM Ser Acessível: saiba quais são os direitos de pessoas com deficiência na educação e como exigi-los Ser Acessível: entenda barreiras que impedem inclusão escolar e conheça histórias de famílias que enfrentam impactos da exclusão Ser Acessível: TEA, PCD, SRM, criança não oralizada, tecnologia assistiva... glossário explica termos e siglas da educação especial Agora no g1 O que diz a prefeitura A Prefeitura de Paulínia informou que atualmente 816 estudantes da rede municipal estão matriculados com algum tipo de deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou altas habilidades. Segundo a administração, todos esses alunos contam com Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno escolar. Em situações específicas, quando há identificação da necessidade, também é disponibilizado apoio especializado em sala de aula, suporte que atualmente atende cerca de 360 estudantes. A prefeitura reconhece que as unidades citadas enfrentam déficit de profissionais de apoio, mas afirma que segue empenhada em completar o quadro de servidores. De acordo com o governo municipal, um novo processo seletivo já foi realizado para a contratação de profissionais, que deverão ser incorporados à rede com o objetivo de regularizar o quadro de atendimento em 2027. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
Sem profissionais de apoio, crianças com deficiência ficam fora da escola em Paulínia
Piemonte Escrito em 03/10/2026
Luiza Maria Carvalho de Oliveira descobriu no fim de agosto que o filho Luiz Miguel, de 8 anos, não teria mais a profissional de apoio especializado na escola municipal de Paulínia (SP) Márcio de Campos/EPTV A falta de profissionais de apoio em escolas municipais de Paulínia (SP) tem impedido que crianças com deficiência frequentem as salas de aula. Mães relatam que os cadernos continuam em branco porque os filhos precisam ficar em casa devido à ausência de acompanhamento especializado. A Prefeitura de Paulínia informa que os profissionais de apoio atendem cerca de 360 dos 816 estudantes com deficiência matriculados na rede municipal, e que um novo processo seletivo foi realizado com o objetivo de regularizar o quadro de atendimento em 2027 - leia mais abaixo. O estudante Luiz Miguel, de 8 anos, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) com nível 3 de suporte, necessita de apoio no dia a dia e não utiliza a fala para se comunicar. Matriculado no 2º ano da Escola Municipal Yolanda Tiziani Pazetti, o menino contava com uma professora de apoio até o ano passado. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A mãe do aluno, a dona de casa Luiza Maria Carvalho de Oliveira, conta que descobriu no fim de agosto que o filho não teria mais a profissional. Após procurar a direção da unidade, ela foi informada de que a escola não forneceria professores de apoio para Luiz Miguel neste ano. Sem a assistência necessária, ela parou de levar a criança ao colégio. "Eu fico desesperada, sem saber o que fazer. Eu não levo meu filho na escola, não vou levar de jeito nenhum para brincar. O menino colocava ele na cadeira de rodas e ficava rodando lá para ele se acamar. Isso não é justo. Cadê a lei que diz que as crianças autistas precisam de professor de apoio?", questiona. Síndrome rara A estudante Tiffany, também de 8 anos, foi diagnosticada ao nascer com a síndrome de Charge, uma condição genética rara que pode comprometer a visão, audição, respiração e o desenvolvimento geral. Até maio deste ano, a mãe de Tiffany, a dona de casa Driele Aparecida da Silva, acompanhava a filha presencialmente dentro da Escola Municipal Professora Elvira de Cássia Oliveira. No entanto, com o nascimento do segundo filho, a rotina tornou-se inviável. Ela informa que a prefeitura chegou a disponibilizar profissionais para auxiliar nos estudos em casa, mas a menina segue sem frequentar o colégio presencialmente por faltar um profissional de saúde no local. "A Tiffany tem traqueostomia, que devido às questões da própria condição ela precisou fazer, e ela se alimenta também com uma sonda. Então são dois dispositivos que realmente necessitam de ter um profissional de saúde fazendo esse acompanhamento dela", diz. Segundo Driele, desde 2022 a família luta com a Prefeitura para tentar esse profissional para a menina. "Hoje o principal impasse é esse, é não ter esse profissional na escola." Driele Aparecida da Silva acompanhava a filha presencialmente dentro da escola até maio deste ano, mas após o nascimento do segundo filho, a rotina tornou-se inviável; sem o profissional de apoio, a menina deixou de ir até a escola Márcio de Campos/EPTV Direito garantido A presidente da Comissão de Direitos das Pessoas com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Vivian Regina de Carvalho Camargo, explica que o Estatuto da Pessoa com Deficiência garante que a educação é um direito de todos e obriga o poder público a oferecer um sistema inclusivo em todos os níveis. "A ausência do profissional de apoio. Se a pessoa não tiver condições de contratar um advogado particular, ela deve recorrer ao Ministério Público e à Defensoria Pública. E a ausência, quando necessário, a presença realmente de um profissional de apoio, ela pode caracterizar inclusive uma medida de discriminação que também está contemplado na Lei Brasileira de Inclusão e essa recusa é punida por crime", afirma. LEIA TAMBÉM Ser Acessível: saiba quais são os direitos de pessoas com deficiência na educação e como exigi-los Ser Acessível: entenda barreiras que impedem inclusão escolar e conheça histórias de famílias que enfrentam impactos da exclusão Ser Acessível: TEA, PCD, SRM, criança não oralizada, tecnologia assistiva... glossário explica termos e siglas da educação especial Agora no g1 O que diz a prefeitura A Prefeitura de Paulínia informou que atualmente 816 estudantes da rede municipal estão matriculados com algum tipo de deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou altas habilidades. Segundo a administração, todos esses alunos contam com Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno escolar. Em situações específicas, quando há identificação da necessidade, também é disponibilizado apoio especializado em sala de aula, suporte que atualmente atende cerca de 360 estudantes. A prefeitura reconhece que as unidades citadas enfrentam déficit de profissionais de apoio, mas afirma que segue empenhada em completar o quadro de servidores. De acordo com o governo municipal, um novo processo seletivo já foi realizado para a contratação de profissionais, que deverão ser incorporados à rede com o objetivo de regularizar o quadro de atendimento em 2027. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
