Morte de capitã da PM e marido sargento preso: entenda o que se sabe e o que falta esclarecer

Piemonte Escrito em 23/07/2026


Capitã da PM morta em BH: o que a investigação descobriu até agora A morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, é investigada pela Polícia Civil como feminicídio. A policial foi levada já sem vida pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). O militar foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Segundo o boletim de ocorrência, Michele apresentava traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e um corte profundo na cabeça. Para a equipe médica, a morte havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital. A investigação reúne imagens de câmeras, depoimentos, perícias e o histórico do casal para esclarecer o caso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Confira tudo o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso: O que aconteceu? O que diz o sargento preso? O que mostram as imagens do prédio? Quais provas foram apreendidas? O que ainda falta esclarecer? O suspeito já tinha histórico de violência? Quem era Michele Leão Azevedo? Como a família descreve o relacionamento? O que decidiu a Justiça? O que disseram a PM e a defesa? Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso suspeito de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 Foto: Redes sociais O que aconteceu? Michele Leão Azevedo chegou morta ao Hospital Odilon Behrens na noite de segunda-feira (20), levada pelo próprio marido. Os médicos identificaram diversas lesões incompatíveis com uma morte natural e acionaram imediatamente a Polícia Militar. Eduardo Abner foi preso ainda no hospital. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio. O que diz o sargento preso? Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal participou de uma confraternização na noite anterior, consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e, depois, manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Segundo ele, Michele caiu da escada por volta do meio-dia, recusou atendimento médico, ambos dormiram durante a tarde e, somente à noite, ele percebeu que ela não respondia mais aos estímulos e decidiu levá-la ao hospital. A versão é contestada pela investigação e será confrontada com os laudos periciais. O que mostram as imagens do prédio? Câmeras de segurança registraram o momento em que Eduardo sai do elevador carregando Michele nos ombros até a garagem do edifício. As imagens mostram o militar colocando o corpo da esposa dentro do carro antes de seguir para o hospital. Os vídeos fazem parte das provas analisadas pela Polícia Civil. Vídeo mostra sargento carregando corpo de capitã da PM até carro antes de ir ao hospital Quais provas foram apreendidas? Durante a ocorrência, policiais encontraram comprimidos semelhantes a ecstasy que, segundo a investigação, foram descartados pelo sargento em uma lixeira do hospital. O material foi apreendido para perícia. No apartamento, os peritos recolheram um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, roupas de cama lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar, além do celular do sargento e do veículo utilizado para transportar Michele. Todo o material será analisado. O que ainda falta esclarecer? A principal dúvida da investigação é como Michele sofreu os ferimentos que provocaram sua morte e se eles são compatíveis com a versão apresentada pelo sargento. Os laudos do Instituto Médico-Legal e das perícias realizadas no apartamento, nos objetos apreendidos, nos comprimidos e nos aparelhos eletrônicos deverão ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos e confirmar ou descartar a versão do investigado. O suspeito já tinha histórico de violência? Sim. A Polícia Civil confirmou que Eduardo Abner possuía registros anteriores de violência contra a mulher. O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados por uma ex-companheira em 2016. Ela relatou agressões físicas, ameaças e o descumprimento de uma medida protetiva. O militar também foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira. Quem era Michele Leão Azevedo? Michele tinha 41 anos e era capitã da Polícia Militar de Minas Gerais. Bacharel em Ciências Militares, atuava na corporação desde 2010. Também possuía especialização em Docência no Ensino Superior e formação complementar em Direitos Humanos. Familiares afirmam que ela era dedicada à profissão e ao filho. O velório e o sepultamento ocorreram nesta quarta-feira (22), em Belo Horizonte, em cerimônia restrita a familiares e amigos. Montagem mostra fotos da capitã da PM de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, encontrada morta Arquivo pessoal Como a família descreve o relacionamento? Em depoimentos à polícia e entrevistas, familiares afirmaram que Michele vivia um relacionamento marcado por controle psicológico, ciúmes e sucessivas separações e reconciliações. O tio e um primo disseram que o sargento era uma pessoa "ciumenta e manipuladora" e relataram episódios em que ele teria invadido a casa da família à procura da capitã durante uma separação. A família cobra que a investigação esclareça completamente as circunstâncias da morte. LEIA TAMBÉM: Órgão ambiental de MG suspende operações da maior produtora de lítio do país Comandante da PM de MG trata morte da capitã Michele como 'violência doméstica e familiar' e defende polícia: 'Não vamos recuar' O que decidiu a Justiça? Na quarta-feira (22), durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante do sargento em prisão preventiva. Ao tomar a decisão, o juiz considerou necessária a manutenção da prisão para garantir a ordem pública. O processo tramita sob segredo de Justiça. O que disseram a PM e a defesa? Durante o velório, a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos, classificou o caso como um episódio de violência doméstica e familiar e afirmou que a corporação seguirá atuando no enfrentamento à violência contra as mulheres. Já a defesa de Eduardo Abner informou que acompanha as investigações, pediu que sejam aguardados os laudos periciais e afirmou confiar no devido processo legal. Os advogados sustentam que somente a conclusão da investigação permitirá esclarecer o que ocorreu e disseram que irão se manifestar no momento oportuno. O sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (20), após levar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo Re Capitã da PM é enterrada em Belo Horizonte Veja os vídeos mais assistidos do g1 Minas: