El Niño segue ganhando força e chance de ser o mais forte desde 1950 chega a 83%, diz agência climática dos EUA

Piemonte Escrito em 08/10/2026


O que define um ‘super El Niño’ e até onde o atual pode chegar O El Niño ganhou mais força no Oceano Pacífico e continua a caminho de atingir seu pico nos próximos meses. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (8) a previsão para a intensidade e a duração do fenômeno. Segundo a agência, o fenômeno deve continuar se fortalecendo até o fim do ano e se manter entre forte e muito forte até o período de janeiro a março de 2027, com mais de 83% de chance. A NOAA também calcula em 83% a chance de este El Niño se tornar o mais forte já registrado pela agência desde 1950 entre outubro e dezembro. No boletim anterior, divulgado em 10 de setembro, essa probabilidade era de 75%. Na época, a agência já dizia que havia mais de 90% de chance de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte. 🌊 Entenda: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dados divulgados nesta quinta mostram também que o aquecimento do Pacífico Equatorial continuou aumentando. Na região Niño 3.4, uma das principais áreas usadas pelos cientistas para acompanhar o El Niño, a temperatura ficou 2,1°C acima da média em setembro. Em agosto, a diferença era de +1,8°C. A região é uma das referências usadas para acompanhar a evolução do fenômeno e entender se ele está ganhando ou perdendo força. Mas os cientistas não olham apenas para a temperatura da água. Para que o El Niño continue se fortalecendo, a atmosfera também precisa responder ao aquecimento do oceano. Isso aparece em mudanças nos ventos, na pressão e na distribuição das chuvas sobre o Pacífico. No novo boletim, a NOAA afirmou que esses sinais continuam presentes, o que indica que o oceano e a atmosfera seguem atuando juntos para sustentar o fenômeno. Animação mostra como o El Niño se fortaleceu no Oceano Pacífico entre março e setembro de 2026. Tons de vermelho e branco indicam áreas onde o nível do mar ficou mais alto que o normal. NASA/JPL-Caltech Teremos um 'super El Niño'? Se as projeções se confirmarem, o atual episódio pode entrar na faixa dos El Niños mais intensos já registrados. O termo “super El Niño”, porém, não é uma classificação oficial usada pela NOAA. A agência trabalha com categorias como fraco, moderado, forte e muito forte. Um El Niño é considerado muito forte quando o índice usado pela NOAA atinge pelo menos +2°C na média de três meses. É justamente essa faixa que costuma ser chamada informalmente de “super El Niño”. A expectativa agora é saber até onde o aquecimento do Pacífico vai chegar durante o pico do fenômeno. Em setembro, a NOAA estimava 75% de chance de o índice alcançar ou superar +2,5°C entre outubro e dezembro. Esse nível colocaria o atual episódio acima dos El Niños anteriores da série da agência iniciada em 1950. A atualização desta quinta mostra que essa chance agora está em 83%. TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O EL NIÑO: Quando foi o último 'super' El Niño? Entenda por que o intervalo entre os eventos extremos vem encurtando Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño El Niño 2026: o que é, por que os cientistas estão em alerta e como isso pode afetar sua vida Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar disso, um El Niño mais forte não significa necessariamente impactos mais intensos em todos os lugares. A própria NOAA ressalta que a força do fenômeno aumenta a chance de ocorrerem efeitos típicos do El Niño, mas não permite prever, sozinha, a intensidade de secas, chuvas ou ondas de calor em cada região. No Brasil, historicamente, o El Niño costuma favorecer mais chuva no Sul e períodos mais secos no Norte e em partes do Nordeste. No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos podem variar mais, com mudanças na distribuição das chuvas e períodos de calor mais frequentes. 🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global. A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado. Pexels 🌧️ Impactos no Brasil Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa: aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos; redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste; mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste; maior frequência de ondas de calor. Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta. El Niño e La Niña Arte g1/Luisa Rivas LEIA TAMBÉM: Entenda como explosões transformaram 'dia em noite' no Irã e colocaram cidade sob alerta de chuva ácida Calor extremo pode colocar atletas em risco em grandes eventos esportivos, alerta estudo Lado oculto da jaqueira: árvore invasora empobrece chão da Mata Atlântica e afeta sapos Guia de compras: 40 opções para se refrescar no calorão