Desembargadora que recebeu R$ 117 mil diz que classe pode entrar em “regime de escravidão” A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que afirmou em sessão judicial que a situação financeira da magistratura é "muito triste" e que, no futuro, a categoria pode não ter como "pagar as contas", recebeu em doze meses de 2025 o valor de R$ 1.024.117,30, segundo dados do Portal da Transparência. Eva Coelho tomou posse como desembargadora em 2020 e, no início dos anos 2000, atuou no caso emblemático da justiça paraense que julgou 149 policiais militares pelo Massacre de Eldorado do Carajás. O episódio, que completou 30 anos em 2026, causou a morte de 19 trabalhadores rurais do Movimento Sem Terra (MST); e outras duas pessoas que ficaram feridas e morreram no hospital. A magistrada tem 40 anos de carreira no Judiciário do Pará, atuando atualmente no Tribunal de Justiça do Estado (TJPA). Eva do Amaral Coelho, juíza na época do julgamento do Massacre de Eldorado dos Carajás, em abril de 2002 Arquivo / Ary Souza / Jornal OLiberal Nascida em 15 de julho de 1951, aos 74 anos, ela ingressou na magistratura em outubro de 1985, após concurso público, e foi empossada como desembargadora em julho de 2020, ocupando vaga aberta pelo falecimento da desembargadora Nadja Nara Cobra Meda. Ela começou como juíza na Comarca de Afuá, que incluía o Termo Judiciário de Anajás (atual Comarca). Ela também respondeu interinamente pela Comarca de Chaves e atuou na Comarca de Primavera, abrangendo distritos como Quatipuru, Boa Vista, Jabaroca e o município de São João de Pirabas. Posteriormente, trabalhou em Conceição do Araguaia, onde exerceu a prefeitura por cinco dias, Castanhal, e nos Termos Judiciários de Inhangapi e São Francisco do Pará, onde foi responsável por eleições nesses municípios. A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), afirmou em sessão judicial que a situação financeira da magistratura é "muito triste" e que, no futuro, a categoria pode não ter como "pagar as contas" Reprodução/Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) Atuação em Belém e Áreas Criminais Mais recentemente, atuou na Vara Distrital de Icoaraci e na Capital, incluindo uma Vara do Tribunal do Júri e a 1ª Vara Penal de Belém, além de ser titular da 3ª Vara Criminal da Comarca de Belém até abril de 2020, sendo a mais antiga na terceira entrância. Entre 2001 e 2002, presidiu fases iniciais do julgamento do Massacre de Eldorado do Carajás, substituindo o juiz José Maria do Rosário, sorteou jurados, mas retirou um laudo da Unicamp das provas e desistiu do caso em maio de 2002, após alegações de perda de imparcialidade pelo MST. Massacre de Eldorado do Carajás Globo Massacre de Eldorado do Carajás completa 30 anos em meio a mais de 200 áreas em conflito agrário no PA Atuação na justiça eleitoral Eva também atuou como juíza eleitoral em Afuá, Primavera, Conceição do Araguaia, São Francisco do Pará e Belém, além de ser membro substituta do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) de novembro de 2010 a fevereiro de 2011. Em março de 2012, tomou posse como membro efetivo do TRE-PA, e expressou à época compromisso com a celeridade processual em ano eleitoral. Eleita por unanimidade em sessão plenária do TJPA em outubro de 2020, após 35 anos de magistratura, foi empossada para a 2ª Turma de Direito Privado e Seção de Direito Privado. Antes, foi convocada em abril de 2020 para atuar no segundo grau. Na época da posse, em entrevista à Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), foi perguntada sobre valores que uma desembargadora deve ter e afirmou: "empatia, humildade, cooperação, caráter, franqueza, ética, ponderação, disciplina, lealdade e urbanidade". ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Falas polêmicas Durante a 8ª sessão da 3ª Turma de Direito Penal, no dia 9 de abril, a desembargadora se manifestou após o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecer critérios para o pagamento das verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, a magistrados e integrantes do Ministério Público. “Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direção de foro. [...] Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse em sessão Segundo dados do Portal da Transparência, a desembargadora recebeu, em março de 2026, remuneração bruta de R$ 117.863,72. Após descontos, o valor líquido foi de R$ 91.211,82. O g1 solicitou um posicionamento à magistrada e aguarda retorno. “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios”, afirmou. A desembargadora também afirmou que a categoria não está “no fundo do poço”, mas sim “no fundo do alçapão”. Segundo ela, os juízes vêm sendo tratados como “vilões” ou “bandidos”. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada. Eu gostaria que uma parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador para verificar como é que a gente trabalha”, declarou. Ainda durante a sessão, a magistrada disse que os juízes realizam “um número enorme de horas extras em casa”, incluindo fins de semana. "Nós de plantão não estamos aqui, estamos trabalhando em casa e fora os dias que se trabalha à noite revisando votos", afirmou. As falas ocorreram logo no início da sessão, antes do julgamento de processos. Toda a sessão durou cerca de três horas. Supremo limita penduricalhos do Judiciário e do Ministério Público, mas mantém verba indenizatória para férias não tiradas Jornal Nacional/ Reprodução O que o Supremo definiu? A Corte estabeleceu as balizas para o pagamento das verbas indenizatórias para além do teto, no caso de magistrados e integrantes do Ministério Público. Os ministros aprovaram uma tese que detalha as parcelas indenizatórias e auxílios permitidos e proibidos, enquanto não houver uma lei sobre o tema, a ser aprovada pelo Congresso Nacional. Também fixaram que os valores autorizados serão padronizados e seguirão a regras de transparência detalhadas em resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA
Quem é a desembargadora do PA que disse que magistrados podem entrar em 'regime de escravidão', após STF limitar 'penduricalhos'
Piemonte Escrito em 21/04/2026
Desembargadora que recebeu R$ 117 mil diz que classe pode entrar em “regime de escravidão” A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que afirmou em sessão judicial que a situação financeira da magistratura é "muito triste" e que, no futuro, a categoria pode não ter como "pagar as contas", recebeu em doze meses de 2025 o valor de R$ 1.024.117,30, segundo dados do Portal da Transparência. Eva Coelho tomou posse como desembargadora em 2020 e, no início dos anos 2000, atuou no caso emblemático da justiça paraense que julgou 149 policiais militares pelo Massacre de Eldorado do Carajás. O episódio, que completou 30 anos em 2026, causou a morte de 19 trabalhadores rurais do Movimento Sem Terra (MST); e outras duas pessoas que ficaram feridas e morreram no hospital. A magistrada tem 40 anos de carreira no Judiciário do Pará, atuando atualmente no Tribunal de Justiça do Estado (TJPA). Eva do Amaral Coelho, juíza na época do julgamento do Massacre de Eldorado dos Carajás, em abril de 2002 Arquivo / Ary Souza / Jornal OLiberal Nascida em 15 de julho de 1951, aos 74 anos, ela ingressou na magistratura em outubro de 1985, após concurso público, e foi empossada como desembargadora em julho de 2020, ocupando vaga aberta pelo falecimento da desembargadora Nadja Nara Cobra Meda. Ela começou como juíza na Comarca de Afuá, que incluía o Termo Judiciário de Anajás (atual Comarca). Ela também respondeu interinamente pela Comarca de Chaves e atuou na Comarca de Primavera, abrangendo distritos como Quatipuru, Boa Vista, Jabaroca e o município de São João de Pirabas. Posteriormente, trabalhou em Conceição do Araguaia, onde exerceu a prefeitura por cinco dias, Castanhal, e nos Termos Judiciários de Inhangapi e São Francisco do Pará, onde foi responsável por eleições nesses municípios. A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), afirmou em sessão judicial que a situação financeira da magistratura é "muito triste" e que, no futuro, a categoria pode não ter como "pagar as contas" Reprodução/Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) Atuação em Belém e Áreas Criminais Mais recentemente, atuou na Vara Distrital de Icoaraci e na Capital, incluindo uma Vara do Tribunal do Júri e a 1ª Vara Penal de Belém, além de ser titular da 3ª Vara Criminal da Comarca de Belém até abril de 2020, sendo a mais antiga na terceira entrância. Entre 2001 e 2002, presidiu fases iniciais do julgamento do Massacre de Eldorado do Carajás, substituindo o juiz José Maria do Rosário, sorteou jurados, mas retirou um laudo da Unicamp das provas e desistiu do caso em maio de 2002, após alegações de perda de imparcialidade pelo MST. Massacre de Eldorado do Carajás Globo Massacre de Eldorado do Carajás completa 30 anos em meio a mais de 200 áreas em conflito agrário no PA Atuação na justiça eleitoral Eva também atuou como juíza eleitoral em Afuá, Primavera, Conceição do Araguaia, São Francisco do Pará e Belém, além de ser membro substituta do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) de novembro de 2010 a fevereiro de 2011. Em março de 2012, tomou posse como membro efetivo do TRE-PA, e expressou à época compromisso com a celeridade processual em ano eleitoral. Eleita por unanimidade em sessão plenária do TJPA em outubro de 2020, após 35 anos de magistratura, foi empossada para a 2ª Turma de Direito Privado e Seção de Direito Privado. Antes, foi convocada em abril de 2020 para atuar no segundo grau. Na época da posse, em entrevista à Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), foi perguntada sobre valores que uma desembargadora deve ter e afirmou: "empatia, humildade, cooperação, caráter, franqueza, ética, ponderação, disciplina, lealdade e urbanidade". ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Falas polêmicas Durante a 8ª sessão da 3ª Turma de Direito Penal, no dia 9 de abril, a desembargadora se manifestou após o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecer critérios para o pagamento das verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, a magistrados e integrantes do Ministério Público. “Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direção de foro. [...] Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse em sessão Segundo dados do Portal da Transparência, a desembargadora recebeu, em março de 2026, remuneração bruta de R$ 117.863,72. Após descontos, o valor líquido foi de R$ 91.211,82. O g1 solicitou um posicionamento à magistrada e aguarda retorno. “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios”, afirmou. A desembargadora também afirmou que a categoria não está “no fundo do poço”, mas sim “no fundo do alçapão”. Segundo ela, os juízes vêm sendo tratados como “vilões” ou “bandidos”. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada. Eu gostaria que uma parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador para verificar como é que a gente trabalha”, declarou. Ainda durante a sessão, a magistrada disse que os juízes realizam “um número enorme de horas extras em casa”, incluindo fins de semana. "Nós de plantão não estamos aqui, estamos trabalhando em casa e fora os dias que se trabalha à noite revisando votos", afirmou. As falas ocorreram logo no início da sessão, antes do julgamento de processos. Toda a sessão durou cerca de três horas. Supremo limita penduricalhos do Judiciário e do Ministério Público, mas mantém verba indenizatória para férias não tiradas Jornal Nacional/ Reprodução O que o Supremo definiu? A Corte estabeleceu as balizas para o pagamento das verbas indenizatórias para além do teto, no caso de magistrados e integrantes do Ministério Público. Os ministros aprovaram uma tese que detalha as parcelas indenizatórias e auxílios permitidos e proibidos, enquanto não houver uma lei sobre o tema, a ser aprovada pelo Congresso Nacional. Também fixaram que os valores autorizados serão padronizados e seguirão a regras de transparência detalhadas em resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. 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