Justiça impede ação de Trump sobre eleição para o Senado no Alasca

Piemonte Escrito em 01/11/2026


O senador Dan S. Sullivan (esquerda) e candidato Dan J. Sullivan (direita) disputam as primárias no Alasca Mark Thiessen e Becky Bohrer/AP Uma juíza federal dos Estados Unidos indeferiu neste domingo (1º) uma ação do governo do presidente Donald Trump que buscava impedir o Alasca de certificar a derrota do senador republicano Dan Sullivan nas eleições de meio de mandato da próxima terça-feira, caso os votos dados a um rival com o mesmo nome pudessem ter alterado o resultado. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A decisão da juíza federal Sharon Gleason, em Anchorage, foi o mais recente revés nos esforços de Trump para ampliar o papel do governo federal nas eleições, que, segundo a Constituição dos EUA, são administradas pelos estados. A disputa entre Sullivan e a ex-deputada federal democrata Mary Peltola pode ser decisiva para determinar se os republicanos, aliados de Trump, conseguirão manter o controle do Senado nas eleições de meio de mandato. O governo Trump tem adotado uma postura cada vez mais agressiva na supervisão eleitoral, pressionando os estados a fornecer dados de registro de eleitores e argumentando que medidas mais rigorosas são necessárias para garantir a confiança do público no voto. Críticos, entre eles autoridades eleitorais democratas e alguns republicanos, consideram essas medidas uma intromissão excessiva do governo federal. Campanha procura nomes parecidos desde 2025 A estratégia para recrutar candidatos com nomes semelhantes ao do senador republicano teria começado em meados de 2025, segundo investigação publicada pelo New York Times na última quarta-feira (28). De acordo com o jornal, integrantes da equipe de Mary Peltola receberam orientações para encontrar pessoas chamadas Dan Sullivan no Alasca e convencê-las a entrar na disputa pelo Senado. A reportagem foi baseada em entrevistas, mensagens de texto e documentos preparados para uma possível ação judicial contra a campanha democrata. A iniciativa teria envolvido integrantes da campanha de Peltola, advogados e funcionários do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC, na sigla em inglês), responsável pela estratégia do partido nas disputas pela Casa. O grupo também teria considerado a criação de um novo partido político para atrair eleitores conservadores e fragmentar o apoio ao senador republicano. A ex-gerente de campanha de Peltola, Elisa Rios, demitida em agosto, afirmou ao New York Times que a democrata tinha conhecimento da iniciativa. O DSCC negou envolvimento e acusou os republicanos de também apoiarem candidaturas de adversários em outras disputas eleitorais. A campanha de Peltola também negou participação na candidatura dos dois Sullivan. Nas primárias realizadas em agosto, Peltola terminou em primeiro lugar, com 49,5% dos votos. O senador Dan S. Sullivan ficou em segundo, com 41,4%. Já Daniel J. Sullivan Jr. recebeu 2,5%, o equivalente a 4.107 votos. Pelas regras eleitorais do Alasca, os quatro candidatos mais votados nas primárias avançam para a eleição geral. Por isso, os dois Sullivan estão na cédula de votação para a mesma vaga no Senado. O candidato Daniel J. Sullivan Jr. é um professor aposentado que vive em uma pequena comunidade pesqueira do estado. Em entrevistas a veículos americanos, ele negou que tenha entrado na disputa para confundir eleitores ou tirar votos do senador republicano.