Petrobras anuncia reajuste nos preços da gasolina

Piemonte Escrito em 28/05/2026


A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Reprodução A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) um novo ajuste nos preços da gasolina A para as distribuidoras, de R$ 0,48 por litro. A empresa também informou que ofertará um desconto de R$ 0,44 por litro — de forma que o aumento efetivo será de R$ 0,04 por litro. O desconto oferecido pela Petrobras acontece no âmbito do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última segunda-feira (25), que estabeleceu um subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina. A medida tem duração de dois meses e busca conter os efeitos da alta nos preços dos combustíveis, causados pelo aumento do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio. O subsídio será pago diretamente aos produtores e importadores de gasolina, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 Segundo a companhia, a parcela da Petrobras na composição do preço final cobrado dos consumidores será de R$ 1,83 por litro. "Considerando que a gasolina C vendida nos postos é obtida a partir da mistura obrigatória de 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro, a parcela da Petrobras na composição do preço final passará dos atuais R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, um aumento residual de no máximo R$ 0,03 a cada litro de gasolina C vendida nas bombas", informou a empresa em nota. Aumento já era esperado No final de abril, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia sinalizado que a estatal poderia aumentar os preços da gasolina nas refinarias caso o governo concedesse um desconto aos produtores e importadores de combustíveis. A medida vem como uma resposta da empresa aos seus investidores, e aparece como uma forma de mitigar os efeitos da alta do petróleo nos resultados da companhia. "Acreditamos que a isenção de PIS e Cofins é suficiente para nós darmos respostas ao nosso investidor público e privado. [O projeto] abre margem para o reajuste de preços da Petrobras, mas não para o consumidor", explicou Chambriard à época. Efeitos da guerra no Oriente Médio A alta nos preços do petróleo no mercado internacional é um reflexo direto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Isso porque, por conta do conflito, os países envolvidos bloquearam a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, canal por onde costumava passar mais de 20% de todo o comércio global de petróleo. Com a restrição na oferta, os preços da commodity dispararam desde o início da guerra, em 28 de fevereiro: de lá pra cá, o petróleo tipo Brent (referência internacional) saiu de US$ 72,48 por barril para US$ 94,29 no fechamento da última quarta-feira (28) — um aumento de 30%. O aumento nos preços chegou a ser maior em maio, mas arrefeceu em meio a sinalizações de que Washington e Teerã caminham para um acordo de paz. Nesta quinta-feira, por exemplo, o site Axios informou que os negociadores dos EUA e do Irã chegaram a um entendimento sobre um memorando para prorrogar o cessar-fogo por mais 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acordo, no entanto, ainda precisava do aval do presidente americano, Donald Trump. Segundo a reportagem, a assinatura do documento seria o avanço diplomático mais significativo desde o início da guerra. *Essa reportagem está em atualização