Vencedor do Prêmio Jovem Cientista explica como funciona projeto que une IA a tradição Inspirado nas histórias que seu avô contava sobre os "profetas da chuva" - sertanejos que utilizam a observação da natureza para fazer previsões climáticas no Ceará - o estudante de 16 anos Raul Victor Magalhães Souza venceu o Prêmio Jovem Cientista de 2025 com um projeto que une tecnologia a saberes tradicionais. A plataforma criada por Raul combina as análises dos agricultores sobre a natureza com informações meteorológicas oficiais e ajuda o trabalhador a se planejar melhor diante das mudanças climáticas. O projeto ficou em 1° lugar na Categoria Estudante do Ensino Médio. O desafio da 31ª edição era criar projetos que ajudam no combate à mudança do clima. Os vencedores vão receber bolsas de estudo, notebooks e prêmios em dinheiro de R$ 12 mil a R$ 40 mil. LEIA TAMBÉM: Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima; conheça Agricultores leem sinais da natureza para definir o momento certo do plantio ➡️ Este não foi, no entanto, o único cearense a se destacar no prêmio: Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, ficou em 2° lugar na Categoria Estudante do Ensino Superior ao criar um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. O g1 conversou com os estudantes para entender como surgiram as ideias de seus projetos. Empolgados, eles falaram sobre a importância da ciência para o Ceará, relataram os desafios enfrentados durante o desenvolvimento das criações e explicaram como os jovens podem ajudar a combater a crise climática e a desinformação. Confira! História oral transformada em dados Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima. Arquivo pessoal Raul Victor lembra com carinho as histórias contadas pelo seu avô, Luiz Maia, sobre os "profetas da chuva". No sertão cearense, esses agricultores desenvolveram uma relação tão próxima com a natureza que passaram a analisar o céu, a terra, as plantas, os animais e os astros para saber se a quadra chuvosa será boa ou não. Anualmente, eles se reúnem na cidade de Quixadá, a 160 quilômetros de Fortaleza, para compartilhar suas previsões. Os "profetas" ou "profetizas da chuva" já fazem parte da sabedoria popular cearense e ganharam no projeto científico de Raul um papel essencial de fortalecimento da cultura nordestina. "Em 2009 teve uma enchente que um profeta local conseguiu prever que haveria aqui em Iracema, onde eu moro, só que ninguém deu credibilidade a ele. (Algumas pessoas) não têm tanta confiança nesse conhecimento tradicional, que é passado de geração para geração. É um conhecimento muito marcante para a nossa região", conta Raul. A partir desse incômodo, Raul, que mora na cidade de Iracema, criou um sistema de IA chamado Inteligência Artificial dos Profetas das Chuvas, construído com tecnologia de aprendizado de máquina (machine learning). 📱Funciona assim: O sistema foi abastecido com informações fornecidas por seis profetas de cinco municípios do Vale do Jaguaribe e os dados foram organizados em categorias: 1) fenômenos atmosféricos (halo lunar, barra de nuvem no início do ano, alto brilho do Sete-Estrelo) 2) fatores botânicos (florescer do mandacaru, observação da embiratanha, florescer do juazeiro) 3) comportamento animal (borboleta preta, aranha-caranguejeira, rã, formigueiros) Depois, a IA foi treinada com registros coletados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As variáveis incluíram as seguintes informações: pressão atmosférica; temperatura máxima, mínima e média; ponto de orvalho; umidade relativa do ar; velocidade e direção do vento; volume de chuva e data de observação. Como a plataforma é de certa maneira “colaborativa”, o usuário vai preencher no sistema o que ele estiver observando em campo, e isso ajuda a alimentar a ferramenta. Por exemplo: um agricultor observou um halo lunar onde ele mora. Ao abrir o sistema, ele vai marcar o que avistou e a IA vai combinar essa informação com os dados da Funceme e do Inmet. Em poucos segundos, o agricultor vê a previsão local e uma explicação simples de como o halo lunar (ou outra observação) pode influenciar o tempo e o clima naquele momento em sua região. Na foto, Raul apresenta o projeto na maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, a Mostratec. Arquivo pessoal Raul explica que a plataforma facilita e amplia o acesso desses sertanejos a ferramentas pluviométricas e meteorológicas. “Ela basicamente fornece os dados meteorológicos automaticamente e você precisa somente selecionar o campo da observação que você vai fazer e, assim, você consegue gerar a sua previsão”. “O meu projeto surge justamente com a intenção de auxiliar os agricultores locais quanto à sua produtividade agrícola, basicamente prepará-los com antecedência para terem uma boa safra. Surge também com a intenção de monitorar o abastecimento hídrico, pois você tendo relatórios de como será aquele determinado período chuvoso, consegue se planejar e organizar melhor a distribuição hídrica naquela região”, explica o pesquisador. Raul começou a pesquisa em 2024 sob a orientação do professor Helyson Lucas. Ele vai começar agora o 3° ano do Ensino Médio na Escola de Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia e sonha em ser médico. De férias, Raul estuda cerca de cinco horas por dia, vai para a academia, joga beach tennis, sai com os amigos e, claro, divide as tarefas de casa com sua mãe, Maria Lusinaria. Os planos para 2026 incluem ampliar o “Profetas da Chuva”, fazer novas pesquisas e participar de competições. Mesmo jovem, ele sabe da importância de pesquisas como a sua no combate à crise climática que afeta o mundo. No Ceará, por exemplo, ao longo de 63 anos (de 1961 a 2023), a temperatura aumentou em 1,8°C. O uso eficiente da água, o desenvolvimento de cultivos mais resistentes à seca e políticas públicas voltadas para a saúde e infraestrutura se tornam fundamentais, especialmente na região onde o estudante mora. Para Raul, a ciência é a sua grande aliada nesse sonho de ver o mundo transformado e o Nordeste fortalecido: Acredito que a ciência é um legado que nunca deve parar de crescer. Acredito que é possível transformar o nosso mundo em um mundo equilibrado e sustentável (...) Hoje, meu avô sabe bastante do meu projeto e realmente se orgulha por eu sempre ter escutado as histórias dele e conseguir repassar essas histórias, fortalecendo a nossa cultura nordestina que muitas vezes é invisibilizada. Nós podemos ir para qualquer lugar do mundo, mas nunca podemos esquecer de onde viemos". Projeto monitora consumo de água Isac Diógenes criou um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. Arquivo pessoal Em outra cidade do Sertão Cearense, mas com a mesma preocupação sobre os recursos hídricos, o estudante Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, celebra o 2° lugar no Prêmio Jovem Cientista na Categoria Estudante do Ensino Superior. Ele criou um sistema com Internet das Coisas para monitorar o consumo de água na cidade de Jaguaribe, cidade que fica a cerca de 290 quilômetros de Fortaleza. Isac pensou no projeto após um crime ambiental que atingiu sua cidade em 2024, quando uma ação ilegal realizada no Rio Jaguaribe desviou o curso de água e deixou a cidade completamente desabastecida. "O meu projeto nada mais é do que um sensor hidráulico inteligente e digital. Nós temos as válvulas nas nossas casas que fazem a leitura do consumo de água, mas é preciso um técnico fazer a medição. Meu projeto se resume a transformar essa solução em um dispositivo inteligente, conectado ao Wi-Fi de casa", explica. Veja protótipo do projeto sobre consumo de água. Projeto tem baixo custo de aproximadamente R$ 100. Arquivo pessoal O jovem está quase terminando a graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O sistema que desenvolveu, chamado de “Water Flow”, foi testado até o momento em laboratório e apresenta custo aproximado de R$ 100. A ideia é ampliar a invenção, que poderá ser utilizada por todos os públicos. "A tese do meu projeto é praticamente eu digitalizar o que é totalmente mecânico. Eu já trabalhava com pesquisa em desenvolvimento de software e já tinha visto tecnologias em IoT. Então pensei em criar um sensor inteligente para resolver esse problema. Por exemplo: já que houve o desvio do rio, dava para um sensor inteligente identificar quando o nível do rio diminuísse abruptamente e, com isso, gerar alertas”, diz. 🚰 Veja abaixo como funciona o app “Water Flow”: Como funciona sistema de monitoramento de consumo de água Dentro de uma pequena caixa branca há um microcontrolador, um componente de hardware que funciona como um “mini computador”. Esse microcontrolador possui um módulo Wi-Fi integrado, que permite a conexão direta com a rede Wi-Fi da residência. O sistema recebe informações de um sensor acoplado ao equipamento, responsável por medir os dados, como o consumo de água. Após coletar os dados, o microcontrolador os transmite via Wi-Fi para um servidor online. O servidor recebe essas informações em tempo real, faz o processamento dos dados e os organiza por meio de um software web. Os dados processados são enviados para um aplicativo de celular, onde o usuário pode acompanhar as informações de forma prática. O equipamento é acoplado à instalação hidráulica da residência, geralmente próxima ao hidrômetro. A recomendação é que ele fique dentro de casa, por se tratar de um dispositivo sensível, evitando riscos de danos ou depredação. O sistema pode funcionar como uma “segunda via” ou segunda opinião sobre o consumo de água. “A intenção do meu projeto foi mais essa parte de gestão inteligente dos recursos, não propriamente as relações climáticas. Mas obviamente tem grande sinergia entre os dois pontos, pois para você conseguir mitigar muito os problemas das mudanças climáticas, você precisa ter um meio de gestão inteligente dos recursos naturais”, pontua o desenvolvedor. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Inspirado nos 'profetas da chuva', jovem é premiado com sistema de IA de previsão do tempo
Piemonte Escrito em 17/01/2026
Vencedor do Prêmio Jovem Cientista explica como funciona projeto que une IA a tradição Inspirado nas histórias que seu avô contava sobre os "profetas da chuva" - sertanejos que utilizam a observação da natureza para fazer previsões climáticas no Ceará - o estudante de 16 anos Raul Victor Magalhães Souza venceu o Prêmio Jovem Cientista de 2025 com um projeto que une tecnologia a saberes tradicionais. A plataforma criada por Raul combina as análises dos agricultores sobre a natureza com informações meteorológicas oficiais e ajuda o trabalhador a se planejar melhor diante das mudanças climáticas. O projeto ficou em 1° lugar na Categoria Estudante do Ensino Médio. O desafio da 31ª edição era criar projetos que ajudam no combate à mudança do clima. Os vencedores vão receber bolsas de estudo, notebooks e prêmios em dinheiro de R$ 12 mil a R$ 40 mil. LEIA TAMBÉM: Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima; conheça Agricultores leem sinais da natureza para definir o momento certo do plantio ➡️ Este não foi, no entanto, o único cearense a se destacar no prêmio: Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, ficou em 2° lugar na Categoria Estudante do Ensino Superior ao criar um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. O g1 conversou com os estudantes para entender como surgiram as ideias de seus projetos. Empolgados, eles falaram sobre a importância da ciência para o Ceará, relataram os desafios enfrentados durante o desenvolvimento das criações e explicaram como os jovens podem ajudar a combater a crise climática e a desinformação. Confira! História oral transformada em dados Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima. Arquivo pessoal Raul Victor lembra com carinho as histórias contadas pelo seu avô, Luiz Maia, sobre os "profetas da chuva". No sertão cearense, esses agricultores desenvolveram uma relação tão próxima com a natureza que passaram a analisar o céu, a terra, as plantas, os animais e os astros para saber se a quadra chuvosa será boa ou não. Anualmente, eles se reúnem na cidade de Quixadá, a 160 quilômetros de Fortaleza, para compartilhar suas previsões. Os "profetas" ou "profetizas da chuva" já fazem parte da sabedoria popular cearense e ganharam no projeto científico de Raul um papel essencial de fortalecimento da cultura nordestina. "Em 2009 teve uma enchente que um profeta local conseguiu prever que haveria aqui em Iracema, onde eu moro, só que ninguém deu credibilidade a ele. (Algumas pessoas) não têm tanta confiança nesse conhecimento tradicional, que é passado de geração para geração. É um conhecimento muito marcante para a nossa região", conta Raul. A partir desse incômodo, Raul, que mora na cidade de Iracema, criou um sistema de IA chamado Inteligência Artificial dos Profetas das Chuvas, construído com tecnologia de aprendizado de máquina (machine learning). 📱Funciona assim: O sistema foi abastecido com informações fornecidas por seis profetas de cinco municípios do Vale do Jaguaribe e os dados foram organizados em categorias: 1) fenômenos atmosféricos (halo lunar, barra de nuvem no início do ano, alto brilho do Sete-Estrelo) 2) fatores botânicos (florescer do mandacaru, observação da embiratanha, florescer do juazeiro) 3) comportamento animal (borboleta preta, aranha-caranguejeira, rã, formigueiros) Depois, a IA foi treinada com registros coletados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As variáveis incluíram as seguintes informações: pressão atmosférica; temperatura máxima, mínima e média; ponto de orvalho; umidade relativa do ar; velocidade e direção do vento; volume de chuva e data de observação. Como a plataforma é de certa maneira “colaborativa”, o usuário vai preencher no sistema o que ele estiver observando em campo, e isso ajuda a alimentar a ferramenta. Por exemplo: um agricultor observou um halo lunar onde ele mora. Ao abrir o sistema, ele vai marcar o que avistou e a IA vai combinar essa informação com os dados da Funceme e do Inmet. Em poucos segundos, o agricultor vê a previsão local e uma explicação simples de como o halo lunar (ou outra observação) pode influenciar o tempo e o clima naquele momento em sua região. Na foto, Raul apresenta o projeto na maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, a Mostratec. Arquivo pessoal Raul explica que a plataforma facilita e amplia o acesso desses sertanejos a ferramentas pluviométricas e meteorológicas. “Ela basicamente fornece os dados meteorológicos automaticamente e você precisa somente selecionar o campo da observação que você vai fazer e, assim, você consegue gerar a sua previsão”. “O meu projeto surge justamente com a intenção de auxiliar os agricultores locais quanto à sua produtividade agrícola, basicamente prepará-los com antecedência para terem uma boa safra. Surge também com a intenção de monitorar o abastecimento hídrico, pois você tendo relatórios de como será aquele determinado período chuvoso, consegue se planejar e organizar melhor a distribuição hídrica naquela região”, explica o pesquisador. Raul começou a pesquisa em 2024 sob a orientação do professor Helyson Lucas. Ele vai começar agora o 3° ano do Ensino Médio na Escola de Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia e sonha em ser médico. De férias, Raul estuda cerca de cinco horas por dia, vai para a academia, joga beach tennis, sai com os amigos e, claro, divide as tarefas de casa com sua mãe, Maria Lusinaria. Os planos para 2026 incluem ampliar o “Profetas da Chuva”, fazer novas pesquisas e participar de competições. Mesmo jovem, ele sabe da importância de pesquisas como a sua no combate à crise climática que afeta o mundo. No Ceará, por exemplo, ao longo de 63 anos (de 1961 a 2023), a temperatura aumentou em 1,8°C. O uso eficiente da água, o desenvolvimento de cultivos mais resistentes à seca e políticas públicas voltadas para a saúde e infraestrutura se tornam fundamentais, especialmente na região onde o estudante mora. Para Raul, a ciência é a sua grande aliada nesse sonho de ver o mundo transformado e o Nordeste fortalecido: Acredito que a ciência é um legado que nunca deve parar de crescer. Acredito que é possível transformar o nosso mundo em um mundo equilibrado e sustentável (...) Hoje, meu avô sabe bastante do meu projeto e realmente se orgulha por eu sempre ter escutado as histórias dele e conseguir repassar essas histórias, fortalecendo a nossa cultura nordestina que muitas vezes é invisibilizada. Nós podemos ir para qualquer lugar do mundo, mas nunca podemos esquecer de onde viemos". Projeto monitora consumo de água Isac Diógenes criou um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. Arquivo pessoal Em outra cidade do Sertão Cearense, mas com a mesma preocupação sobre os recursos hídricos, o estudante Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, celebra o 2° lugar no Prêmio Jovem Cientista na Categoria Estudante do Ensino Superior. Ele criou um sistema com Internet das Coisas para monitorar o consumo de água na cidade de Jaguaribe, cidade que fica a cerca de 290 quilômetros de Fortaleza. Isac pensou no projeto após um crime ambiental que atingiu sua cidade em 2024, quando uma ação ilegal realizada no Rio Jaguaribe desviou o curso de água e deixou a cidade completamente desabastecida. "O meu projeto nada mais é do que um sensor hidráulico inteligente e digital. Nós temos as válvulas nas nossas casas que fazem a leitura do consumo de água, mas é preciso um técnico fazer a medição. Meu projeto se resume a transformar essa solução em um dispositivo inteligente, conectado ao Wi-Fi de casa", explica. Veja protótipo do projeto sobre consumo de água. Projeto tem baixo custo de aproximadamente R$ 100. Arquivo pessoal O jovem está quase terminando a graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O sistema que desenvolveu, chamado de “Water Flow”, foi testado até o momento em laboratório e apresenta custo aproximado de R$ 100. A ideia é ampliar a invenção, que poderá ser utilizada por todos os públicos. "A tese do meu projeto é praticamente eu digitalizar o que é totalmente mecânico. Eu já trabalhava com pesquisa em desenvolvimento de software e já tinha visto tecnologias em IoT. Então pensei em criar um sensor inteligente para resolver esse problema. Por exemplo: já que houve o desvio do rio, dava para um sensor inteligente identificar quando o nível do rio diminuísse abruptamente e, com isso, gerar alertas”, diz. 🚰 Veja abaixo como funciona o app “Water Flow”: Como funciona sistema de monitoramento de consumo de água Dentro de uma pequena caixa branca há um microcontrolador, um componente de hardware que funciona como um “mini computador”. Esse microcontrolador possui um módulo Wi-Fi integrado, que permite a conexão direta com a rede Wi-Fi da residência. O sistema recebe informações de um sensor acoplado ao equipamento, responsável por medir os dados, como o consumo de água. Após coletar os dados, o microcontrolador os transmite via Wi-Fi para um servidor online. O servidor recebe essas informações em tempo real, faz o processamento dos dados e os organiza por meio de um software web. Os dados processados são enviados para um aplicativo de celular, onde o usuário pode acompanhar as informações de forma prática. O equipamento é acoplado à instalação hidráulica da residência, geralmente próxima ao hidrômetro. A recomendação é que ele fique dentro de casa, por se tratar de um dispositivo sensível, evitando riscos de danos ou depredação. O sistema pode funcionar como uma “segunda via” ou segunda opinião sobre o consumo de água. “A intenção do meu projeto foi mais essa parte de gestão inteligente dos recursos, não propriamente as relações climáticas. Mas obviamente tem grande sinergia entre os dois pontos, pois para você conseguir mitigar muito os problemas das mudanças climáticas, você precisa ter um meio de gestão inteligente dos recursos naturais”, pontua o desenvolvedor. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
