O caminho dos R$ 816 mil: como foi pago o voo de Flávio Bolsonaro aos EUA

Piemonte Escrito em 03/11/2026


Fuga de Flávio Bolsonaro: documentos exclusivos revelam a logística O voo que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família da Argentina aos Estados Unidos custou US$ 150 mil (cerca de R$ 816 mil) e foi pago por um intermediário do setor de aviação que mora em território americano. A identidade de quem contratou a viagem, porém, não foi esclarecida. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Uma reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (1º), apresentou detalhes da operação montada para a saída do senador do Brasil, incluindo informações sobre o pagamento do jato de luxo que transportou Flávio, a mulher, Fernanda, e as duas filhas do casal. O avião utilizado foi um Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, operado pela companhia argentina Baires Fly, que pertence ao empresário Luis Grande. Em entrevista à agência France-Presse (AFP), Grande revelou que o dinheiro saiu de uma conta empresarial em um banco americano e foi transferido para uma instituição bancária argentina. Segundo ele, pagamento foi realizado por um intermediário do setor de aviação que mora nos Estados Unidos. O empresário, no entanto, não revelou o nome dessa pessoa e afirmou desconhecer a identidade do contratante final do voo. Assessor de Trump Embora o proprietário da Baires Fly não tenha identificado quem contratou a aeronave, a imprensa americana apontou que Jason Miller, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sido responsável por providenciar a viagem de Flávio Bolsonaro. Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, estiveram com Miller nos Estados Unidos quando o senador ainda era pré-candidato à Presidência da República. A reportagem também citou uma publicação do jornal argentino Clarín, segundo a qual agentes americanos teriam assumido o controle de parte do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, durante a operação de saída do senador. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos Estados Unidos tenha colaborado com a saída de Flávio do Brasil. "Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas", declarou Rubio. LEIA TAMBÉM: Três registros de entrada na Argentina em 40 minutos: os bastidores da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil 'Como puderam autorizar?': deputada argentina questiona governo Milei sobre fuga de Flávio De Puerto Iguazú à Flórida O voo partiu de Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha a Foz do Iguaçu, no Paraná, que possui um aeroporto internacional com pista de 3.300 metros, capaz de receber grandes jatos executivos. Segundo a reportagem do Fantástico, a operação para levar Flávio e sua família até o aeroporto argentino envolveu diferentes trajetos. Uma das versões apuradas aponta que o senador teria deixado Brasília na manhã de terça-feira (27), em um avião ligado ao advogado Willer Tomaz, e desembarcado em San Fernando, na região de Buenos Aires. De lá, teria seguido em outro voo privado para Puerto Iguazú. Já Fernanda e as duas filhas teriam viajado de Brasília até Cascavel, no Paraná, antes de seguirem de van para a Argentina. Apesar de os registros migratórios argentinos indicarem uma entrada terrestre de Flávio no país, a principal linha de investigação aponta que ele teria chegado a Puerto Iguazú de avião e permanecido por horas dentro da aeronave à espera da família. A assessoria de Willer Tomaz negou que uma aeronave pertencente a ele ou a empresas vinculadas à sua família tenha sido utilizada pelo senador ou seus familiares para deixar o Brasil. Depois de reunir a família em Puerto Iguazú, o jato da Baires Fly seguiu para os Estados Unidos, com uma escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento. Flávio, Fernanda e as duas filhas desembarcaram na manhã de quarta-feira (28), no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na região de Miami, na Flórida. A saída do aeroporto foi acompanhada por helicópteros de emissoras americanas, enquanto os carros que transportavam a família seguiram com escolta policial. O acompanhamento terminou na região de Pembroke Pines, mas o destino final da família não foi confirmado. Flávio deixou o Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal. Procurada pelo Fantástico, a Baires Fly não respondeu aos questionamentos. Já o advogado Frederick Wassef, representante legal de Flávio Bolsonaro, afirmou que nenhuma informação sobre a viagem do senador era oficial ou havia sido confirmada. Ele também negou que a saída do país tenha sido uma fuga. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. Flavio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo aos EUA Reprodução/TV Globo