Governo Trump revoga vistos de autoridades palestinas esperadas na Assembleia Geral da ONU

Piemonte Escrito em 30/08/2025


Governo americano revoga vistos da Autoridade Palestina O governo de Donald Trump revogou os vistos de autoridades palestinas que viajariam no mês que vem a Nova York para o encontro de líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU. O Departamento de Estado americano anunciou a decisão. O comunicado afirma que os Estados Unidos negam e revogam os vistos de integrantes da Organização pela Libertação da Palestina e da Autoridade Palestina. E que a medida é de “interesse da segurança nacional". O texto também diz que “antes que sejam consideradas parceiras da paz, as organizações precisam repudiar, de forma consistente, o terrorismo – inclusive o massacre de 7 de outubro”, uma referência aos atentados de 2023, quando o grupo terrorista Hamas assassinou 1.200 israelenses e sequestrou mais de 250 pessoas. Uma referência aos atentados de 2023, quando o grupo terrorista Hamas assassinou 1.200 israelenses e sequestrou mais de 250 pessoas. Jornal Nacional Em junho, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou os ataques como inaceitáveis, adotando um tom mais duro do que tinha usado logo depois do massacre. Atualmente, a Autoridade Palestina está presente apenas no território da Cisjordânia, separado da Faixa de Gaza. O Departamento de Estado americano acusou a autoridade de prejudicar negociações de paz porque recorreu a tribunais internacionais e alimenta esforços unilaterais pelo reconhecimento de um estado palestino. A França e o Canadá planejam reconhecer o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral da ONU. A missão Palestina nas Nações Unidas afirmou que a decisão do Departamento de Estado é uma contradição ao direito internacional e pediu que o governo americano reconsidere. A missão poderá continuar funcionando. O porta-voz da ONU disse que “é importante que todos os estados-membros e observadores possam estar representados”. No fim da tarde, o Departamento de Estado confirmou a revogação do visto de 80 integrantes da Autoridade Palestina, entre eles o presidente Mahmoud Abbas. Em 1947, quando os Estados Unidos aceitaram ser sede da ONU, eles se comprometeram a conceder vistos a todos que fossem convidados a visitar a organização. Mas, depois, em várias ocasiões, o governo americano negou os vistos de integrantes de delegações que vinham de países como Irã, Cuba e Venezuela. Mesmo assim, até antigos inimigos dos EUA, como Fidel Castro e Nicolás Maduro, receberam autorização para discursar em Nova York. Em 1988, o governo negou o visto ao então líder palestino, Yasser Arafat. A ONU então fez uma reunião da Assembleia Geral em Genebra, na Suíça, para que ele participasse. O professor de Direito Internacional Público Lucas Carlos Lima avalia que a decisão de hoje, com potencial de barrar uma delegação inteira, é algo inédito. "Sem precedentes, na medida em que atinge um número indeterminado de pessoas e parece atingir todo um determinado grupo político com uma mensagem clara. Tanto uma diminuição do direito de representação do Estado palestino, como é também uma diminuição da capacidade da organização de realizar a sua função de ser um lugar para um centro de reunião, para estimular a paz", afirmou.