Operação mira venda de medicamentos falsos para tratamento contra o câncer Uma distribuidora investigada por vender remédios falsificados contra o câncer a hospitais repassou R$ 2,9 milhões em 2024 a uma empresa de um dos presos na operação, segundo o Ministério Público (MP). O mesmo investigado abriu uma holding, tipo de empresa usada para concentrar patrimônio, com capital de R$ 500 mil depois da primeira fase da investigação. Os dados embasaram uma decisão desta quarta-feira (4), em que a Justiça de Araraquara (SP) ampliou o bloqueio de bens dos investigados, que pode chegar a R$ 15 milhões. O grupo é investigado por venda de remédio falsificado, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Nesta quinta-feira (5), três pessoas foram presas na segunda fase da Operação Laziosi, coordenada pelo núcleo de Ribeirão Preto (SP) do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, com a Polícia Civil. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O g1 procurou as defesas dos presos e as empresas citadas, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem. Segundo o delegado Diógenes Santiago Netto, os presos ficaram em silêncio. Medicamentos falsificados foram apreendidos em operação do Gaeco de Ribeirão Preto, SP, e da Polícia Civil Divulgação/Polícia Civil Veja três fatos sobre o caminho do dinheiro, segundo o MP: Holding de R$ 500 mil depois da primeira fase Petter Gabriel Cavalcante Chagas, apontado pela investigação como o elo do grupo com os hospitais, abriu uma holding em 27 de março de 2026, 16 meses depois da primeira fase da operação. Ele é o único sócio, e o capital é de R$ 500 mil. Holding é uma empresa criada para reunir o patrimônio de uma pessoa ou de uma família, como imóveis, veículos, dinheiro e participações em outras empresas. Em vez de ter os bens no próprio nome, o dono passa a ter cotas da holding, que é a dona formal dos bens. LEIA MAIS Operação contra venda de medicamentos falsificados para tratamento de câncer cumpre mandados de prisão em SP Remédio falsificado alvo de operação em SP é o mesmo indicado ao papa Leão XIV; laudo encontrou só sódio e cloro Remédio falsificado para câncer: quem são os 3 suspeitos presos na operação Laziosi no interior de SP Empresa do interior de SP continuou a vender remédios falsos contra o câncer mesmo após ser investigada, diz MP É uma estrutura legal e comum no planejamento de patrimônio. Mas, segundo o juiz, ela também pode ser usada para tirar bens do alcance de um bloqueio judicial, porque basta transferir as cotas para outra pessoa. O MP afirma que não se sabe de onde saíram os R$ 500 mil. No mesmo semestre, Petter fez nove saques em dinheiro vivo, que somam R$ 275,5 mil, da conta de outra empresa dele. Por isso, a Justiça proibiu qualquer alteração na holding, como a venda de cotas ou a troca de sócio, e incluiu a empresa no bloqueio de bens. R$ 2,9 milhões para a empresa de um dos presos Entre maio e novembro de 2024, a distribuidora Nacionalfarma, de Araraquara, transferiu R$ 2,9 milhões à Long Farma, empresa de Petter, em 34 transferências, segundo o MP. No mesmo período, a distribuidora registrava vendas do imunoterápico Keytruda a hospitais. 🔍 Imunoterápico: remédio contra o câncer que estimula o sistema de defesa do próprio corpo a atacar o tumor. Ainda segundo o MP, parte do dinheiro que entrava na conta da distribuidora era repassada à Long Farma no mesmo dia. A Nacionalfarma também transferiu R$ 1,99 milhão a outra empresa ligada a Petter, a Longmed. Para a Polícia Civil, mais de 90% do Keytruda vendido pela distribuidora em 2024 não tem compra registrada nos controles da própria empresa. Empresa de R$ 20 mil, lucro de R$ 1,28 milhão A Ideal Pharma foi aberta em 2023 com capital de R$ 20 mil e registrou R$ 1,28 milhão em lucros distribuídos referentes a 2025, valor 64 vezes maior que o capital, segundo a Polícia Civil. A polícia não encontrou estrutura da empresa em vistoria. É a mesma empresa que emitiu a nota fiscal usada para justificar a origem de um remédio falsificado vendido a um hospital de Araras (SP) em 2025. Segundo a investigação, a nota foi emitida 37 dias depois da venda. Para o MP, o sócio que aparece no papel não é o dono real. Segundo o órgão, ele mora no Canadá desde 2019, de acordo com perfil em rede social, e as cartas da empresa chegam ao escritório da Longmed. Entenda o caso A investigação começou depois que a fabricante do Keytruda constatou que um frasco vendido pela Nacionalfarma a um hospital da capital paulista era falsificado e tinha só sódio e cloro, sem o remédio. Além de Petter, foram presas Nalva Braz do Nascimento, apontada pela investigação como quem controlava de fato a distribuidora, e Sharlene Chaves Barbosa, que, segundo a investigação, cuidava da parte financeira. Maio de 2024: hospital de São Paulo compra da distribuidora o frasco depois identificado como falso. Novembro de 2024: primeira fase da operação, com buscas em Araraquara. Abril de 2025: distribuidora vende outro remédio falsificado a um hospital de Araras, segundo a Justiça. Março de 2026: Petter abre a holding, segundo o MP. 27 de outubro de 2026: Justiça decreta a prisão de três investigados e autoriza o bloqueio de até R$ 15 milhões. 4 de novembro de 2026: Justiça estende o bloqueio à holding e a outras empresas e pessoas. 5 de novembro de 2026: segunda fase da operação, com três presos. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
Remédio falso contra câncer: distribuidora repassou R$ 2,9 milhões a empresa de preso, que abriu holding de R$ 500 mil, diz MP
Piemonte Escrito em 06/11/2026
Operação mira venda de medicamentos falsos para tratamento contra o câncer Uma distribuidora investigada por vender remédios falsificados contra o câncer a hospitais repassou R$ 2,9 milhões em 2024 a uma empresa de um dos presos na operação, segundo o Ministério Público (MP). O mesmo investigado abriu uma holding, tipo de empresa usada para concentrar patrimônio, com capital de R$ 500 mil depois da primeira fase da investigação. Os dados embasaram uma decisão desta quarta-feira (4), em que a Justiça de Araraquara (SP) ampliou o bloqueio de bens dos investigados, que pode chegar a R$ 15 milhões. O grupo é investigado por venda de remédio falsificado, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Nesta quinta-feira (5), três pessoas foram presas na segunda fase da Operação Laziosi, coordenada pelo núcleo de Ribeirão Preto (SP) do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, com a Polícia Civil. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O g1 procurou as defesas dos presos e as empresas citadas, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem. Segundo o delegado Diógenes Santiago Netto, os presos ficaram em silêncio. Medicamentos falsificados foram apreendidos em operação do Gaeco de Ribeirão Preto, SP, e da Polícia Civil Divulgação/Polícia Civil Veja três fatos sobre o caminho do dinheiro, segundo o MP: Holding de R$ 500 mil depois da primeira fase Petter Gabriel Cavalcante Chagas, apontado pela investigação como o elo do grupo com os hospitais, abriu uma holding em 27 de março de 2026, 16 meses depois da primeira fase da operação. Ele é o único sócio, e o capital é de R$ 500 mil. Holding é uma empresa criada para reunir o patrimônio de uma pessoa ou de uma família, como imóveis, veículos, dinheiro e participações em outras empresas. Em vez de ter os bens no próprio nome, o dono passa a ter cotas da holding, que é a dona formal dos bens. LEIA MAIS Operação contra venda de medicamentos falsificados para tratamento de câncer cumpre mandados de prisão em SP Remédio falsificado alvo de operação em SP é o mesmo indicado ao papa Leão XIV; laudo encontrou só sódio e cloro Remédio falsificado para câncer: quem são os 3 suspeitos presos na operação Laziosi no interior de SP Empresa do interior de SP continuou a vender remédios falsos contra o câncer mesmo após ser investigada, diz MP É uma estrutura legal e comum no planejamento de patrimônio. Mas, segundo o juiz, ela também pode ser usada para tirar bens do alcance de um bloqueio judicial, porque basta transferir as cotas para outra pessoa. O MP afirma que não se sabe de onde saíram os R$ 500 mil. No mesmo semestre, Petter fez nove saques em dinheiro vivo, que somam R$ 275,5 mil, da conta de outra empresa dele. Por isso, a Justiça proibiu qualquer alteração na holding, como a venda de cotas ou a troca de sócio, e incluiu a empresa no bloqueio de bens. R$ 2,9 milhões para a empresa de um dos presos Entre maio e novembro de 2024, a distribuidora Nacionalfarma, de Araraquara, transferiu R$ 2,9 milhões à Long Farma, empresa de Petter, em 34 transferências, segundo o MP. No mesmo período, a distribuidora registrava vendas do imunoterápico Keytruda a hospitais. 🔍 Imunoterápico: remédio contra o câncer que estimula o sistema de defesa do próprio corpo a atacar o tumor. Ainda segundo o MP, parte do dinheiro que entrava na conta da distribuidora era repassada à Long Farma no mesmo dia. A Nacionalfarma também transferiu R$ 1,99 milhão a outra empresa ligada a Petter, a Longmed. Para a Polícia Civil, mais de 90% do Keytruda vendido pela distribuidora em 2024 não tem compra registrada nos controles da própria empresa. Empresa de R$ 20 mil, lucro de R$ 1,28 milhão A Ideal Pharma foi aberta em 2023 com capital de R$ 20 mil e registrou R$ 1,28 milhão em lucros distribuídos referentes a 2025, valor 64 vezes maior que o capital, segundo a Polícia Civil. A polícia não encontrou estrutura da empresa em vistoria. É a mesma empresa que emitiu a nota fiscal usada para justificar a origem de um remédio falsificado vendido a um hospital de Araras (SP) em 2025. Segundo a investigação, a nota foi emitida 37 dias depois da venda. Para o MP, o sócio que aparece no papel não é o dono real. Segundo o órgão, ele mora no Canadá desde 2019, de acordo com perfil em rede social, e as cartas da empresa chegam ao escritório da Longmed. Entenda o caso A investigação começou depois que a fabricante do Keytruda constatou que um frasco vendido pela Nacionalfarma a um hospital da capital paulista era falsificado e tinha só sódio e cloro, sem o remédio. Além de Petter, foram presas Nalva Braz do Nascimento, apontada pela investigação como quem controlava de fato a distribuidora, e Sharlene Chaves Barbosa, que, segundo a investigação, cuidava da parte financeira. Maio de 2024: hospital de São Paulo compra da distribuidora o frasco depois identificado como falso. Novembro de 2024: primeira fase da operação, com buscas em Araraquara. Abril de 2025: distribuidora vende outro remédio falsificado a um hospital de Araras, segundo a Justiça. Março de 2026: Petter abre a holding, segundo o MP. 27 de outubro de 2026: Justiça decreta a prisão de três investigados e autoriza o bloqueio de até R$ 15 milhões. 4 de novembro de 2026: Justiça estende o bloqueio à holding e a outras empresas e pessoas. 5 de novembro de 2026: segunda fase da operação, com três presos. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
