EUA aumentam pressão sobre o Irã com porta-aviões e caças Os agentes do mercado financeiro já avaliam a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos ao Irã. Segundo especialistas consultados pelo g1, o aumento das tensões entre os dois países pode fortalecer o dólar, elevar os preços do petróleo e provocar perdas nas bolsas de valores. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou as ameaças ao país do Oriente Médio, reforçou a presença militar na região e sinalizou que está pronto para um ataque, caso considere necessário. 🔎 Trump tem pressionado o regime dos aiatolás a aceitar um acordo para limitar o programa nuclear iraniano, especialmente o enriquecimento de urânio, e o programa de mísseis. Em troca, haveria alívio das sanções e maior abertura econômica. Já o Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer ataque do governo americano. Embora especialistas não considerem um conflito duradouro como cenário mais provável, a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA não está descartada. Veja a seguir quais podem ser os efeitos de um conflito sobre o dólar, o petróleo e os mercados globais. Fortalecimento do dólar Sempre que ocorre um evento geopolítico — como as rusgas entre grandes potências militares —, o dólar costuma ser uma opção de proteção para os investidores. 🔎 A moeda americana é uma das mais negociadas do mundo e pode ser comprada e vendida com facilidade, sem grandes distorções de preço. Por isso, em momentos como esse, investidores costumam vender aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa, e migrar para opções mais seguras, como o dólar. “É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”, diz o estrategista-chefe da Avenue, William Alves. A possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, é outro fator que pode valorizar a moeda americana, porque desestabilizaria o funcionamento do mercado. “É pouco provável que isso ocorra, já que os EUA mantêm forças militares para proteger a região. Mas o risco sempre existe”, afirma Alves. “O Irã não é a Venezuela. O país tem maior relevância militar e poderia tentar algum tipo de reação contra os EUA. Talvez não em um primeiro momento, mas até mesmo por meio de ataques ou outras ações após uma eventual atuação dos EUA na região”, completa. Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters Alta nos preços do petróleo Um ataque ou bloqueio do Estreito de Ormuz pode afetar os preços do petróleo. O Irã é um dos maiores produtores do mundo e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Sempre que há tensão entre países produtores de petróleo, o mercado começa a considerar o risco de danos às estruturas de produção”, explica o analista da Genial Investimentos, Vitor Souza. 🔎 Se parte das instalações de produção de petróleo no Irã for destruída, a oferta pode cair a ponto de gerar desequilíbrio entre produção e consumo no mercado global, pressionando os preços. 🔎 O mesmo vale para o risco de bloqueios no Estreito de Ormuz. Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, uma interrupção na passagem de navios cargueiros pela região pode levar o barril de petróleo para a faixa de US$ 80. Hoje, está em torno de US$ 70. Gabriel Mollo afirma ainda que o conflito e um eventual bloqueio também podem ter efeitos indiretos na economia, como aumento da inflação global e das taxas de juros. “Tudo depende da intensidade do conflito, de sua duração e de como ele afetará as cadeias de produção”, acrescenta. Os especialistas destacam, porém, que o mercado não espera uma guerra prolongada e de grande escala entre os países. O atual excesso de oferta de petróleo e as restrições às vendas do próprio Irã são fatores que podem conter os preços no curto prazo. “Há, naturalmente, a questão do aumento da demanda. Mas, por outro lado, o Irã já é um país fortemente sancionado, e um eventual conflito não deve gerar o mesmo impacto que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo”, diz o analista da Suno Research, Malek Zein. Risco de queda nas bolsas Como a disposição dos investidores para apostar em ativos arriscados diminui em momentos de tensão geopolítica, as bolsas de valores mundo a fora também podem sofrer com quedas. William Alves, da Avenue, diz que os ativos de risco — como ações e investimentos em países emergentes — tendem a reagir mal a eventos como uma guerra, especialmente diante da possível alta do petróleo e dos aumentos de dólar e juros. “No médio e longo prazo, será preciso avaliar o quão limitado e rápido seria o conflito e se poderia haver retaliações na região, como ataques a instalações de energia, refinarias ou estruturas semelhantes”, completa o estrategista. A depender da duração do conflito, podem surgir oscilações mais intensas nos mercados e mudanças nas projeções de lucros de alguns setores, especialmente o de petróleo e gás.
Como a tensão entre EUA e Irã pode afetar dólar, petróleo e o mercado financeiro
Piemonte Escrito em 26/02/2026
EUA aumentam pressão sobre o Irã com porta-aviões e caças Os agentes do mercado financeiro já avaliam a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos ao Irã. Segundo especialistas consultados pelo g1, o aumento das tensões entre os dois países pode fortalecer o dólar, elevar os preços do petróleo e provocar perdas nas bolsas de valores. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou as ameaças ao país do Oriente Médio, reforçou a presença militar na região e sinalizou que está pronto para um ataque, caso considere necessário. 🔎 Trump tem pressionado o regime dos aiatolás a aceitar um acordo para limitar o programa nuclear iraniano, especialmente o enriquecimento de urânio, e o programa de mísseis. Em troca, haveria alívio das sanções e maior abertura econômica. Já o Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer ataque do governo americano. Embora especialistas não considerem um conflito duradouro como cenário mais provável, a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA não está descartada. Veja a seguir quais podem ser os efeitos de um conflito sobre o dólar, o petróleo e os mercados globais. Fortalecimento do dólar Sempre que ocorre um evento geopolítico — como as rusgas entre grandes potências militares —, o dólar costuma ser uma opção de proteção para os investidores. 🔎 A moeda americana é uma das mais negociadas do mundo e pode ser comprada e vendida com facilidade, sem grandes distorções de preço. Por isso, em momentos como esse, investidores costumam vender aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa, e migrar para opções mais seguras, como o dólar. “É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”, diz o estrategista-chefe da Avenue, William Alves. A possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, é outro fator que pode valorizar a moeda americana, porque desestabilizaria o funcionamento do mercado. “É pouco provável que isso ocorra, já que os EUA mantêm forças militares para proteger a região. Mas o risco sempre existe”, afirma Alves. “O Irã não é a Venezuela. O país tem maior relevância militar e poderia tentar algum tipo de reação contra os EUA. Talvez não em um primeiro momento, mas até mesmo por meio de ataques ou outras ações após uma eventual atuação dos EUA na região”, completa. Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters Alta nos preços do petróleo Um ataque ou bloqueio do Estreito de Ormuz pode afetar os preços do petróleo. O Irã é um dos maiores produtores do mundo e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Sempre que há tensão entre países produtores de petróleo, o mercado começa a considerar o risco de danos às estruturas de produção”, explica o analista da Genial Investimentos, Vitor Souza. 🔎 Se parte das instalações de produção de petróleo no Irã for destruída, a oferta pode cair a ponto de gerar desequilíbrio entre produção e consumo no mercado global, pressionando os preços. 🔎 O mesmo vale para o risco de bloqueios no Estreito de Ormuz. Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, uma interrupção na passagem de navios cargueiros pela região pode levar o barril de petróleo para a faixa de US$ 80. Hoje, está em torno de US$ 70. Gabriel Mollo afirma ainda que o conflito e um eventual bloqueio também podem ter efeitos indiretos na economia, como aumento da inflação global e das taxas de juros. “Tudo depende da intensidade do conflito, de sua duração e de como ele afetará as cadeias de produção”, acrescenta. Os especialistas destacam, porém, que o mercado não espera uma guerra prolongada e de grande escala entre os países. O atual excesso de oferta de petróleo e as restrições às vendas do próprio Irã são fatores que podem conter os preços no curto prazo. “Há, naturalmente, a questão do aumento da demanda. Mas, por outro lado, o Irã já é um país fortemente sancionado, e um eventual conflito não deve gerar o mesmo impacto que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo”, diz o analista da Suno Research, Malek Zein. Risco de queda nas bolsas Como a disposição dos investidores para apostar em ativos arriscados diminui em momentos de tensão geopolítica, as bolsas de valores mundo a fora também podem sofrer com quedas. William Alves, da Avenue, diz que os ativos de risco — como ações e investimentos em países emergentes — tendem a reagir mal a eventos como uma guerra, especialmente diante da possível alta do petróleo e dos aumentos de dólar e juros. “No médio e longo prazo, será preciso avaliar o quão limitado e rápido seria o conflito e se poderia haver retaliações na região, como ataques a instalações de energia, refinarias ou estruturas semelhantes”, completa o estrategista. A depender da duração do conflito, podem surgir oscilações mais intensas nos mercados e mudanças nas projeções de lucros de alguns setores, especialmente o de petróleo e gás.
