RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG Sete em cada dez estudantes da rede pública do Rio de Janeiro chegam ao fim do ensino médio sem apresentar aprendizado considerado adequado em matemática. Em Língua Portuguesa, o problema atinge mais de 40% dos alunos. Os dados fazem parte de uma análise divulgada nesta quinta-feira (20) pela Ong Todos Pela Educação, que avaliou os resultados de aprendizagem da rede pública no país. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O levantamento também mostra dificuldades importantes no ensino fundamental. Entre as maiores cidades brasileiras, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, aparece na última posição do ranking de aprendizagem da rede municipal nos anos finais do ensino fundamental. O estudo considera os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática. No caso de Nova Iguaçu, entre os alunos do 9º ano, apenas cerca de um quinto apresentou aprendizagem adequada em Língua Portuguesa. Em Matemática, o percentual ficou abaixo de 10%. RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG Reprodução TV Globo RJ ainda está abaixo da média nacional O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que o objetivo do estudo é analisar justamente a aprendizagem dos estudantes, considerada um dos principais indicadores da qualidade da educação. "O objetivo desse estudo foi focar no componente da aprendizagem, que é o componente mais importante, quando a gente olha para a qualidade da Educação", explicou. Segundo ele, o Rio de Janeiro ainda apresenta dificuldades para melhorar os indicadores. "O que chama muita atenção é que o Estado não tem conseguido evoluir na aprendizagem dos estudantes", completou. O levantamento aponta que o estado apresentou avanço em relação a 2023, mas continua abaixo da média nacional tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. Corrêa afirmou que o resultado está relacionado a uma sequência de gestões na área de educação. "Especialmente dos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. O Rio de Janeiro, com as condições que tem, e mesmo com os patamares que já teve, há 10 anos atrás, mostram que a gestão pública dos últimos anos no estado Foi muito ruim. Uma sequência de gestões de diferentes mandatos que trouxeram o estado, infelizmente, para essa posição que se encontra no indicador de aprendizagem", comentou. Nova Iguaçu na lanterna entre grandes cidades O resultado mais negativo do levantamento no estado aparece em Nova Iguaçu. Entre as cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes e as capitais analisadas, o município ficou em último lugar no ranking de aprendizagem da rede pública nos anos finais do ensino fundamental. No 9º ano, apenas cerca de 20% dos estudantes tiveram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa, enquanto em Matemática o índice ficou abaixo de 10%. Nos anos iniciais, o município também apresentou um dos piores resultados. No 5º ano, menos da metade dos alunos teve aprendizagem considerada adequada em Língua Portuguesa. Em Matemática, o percentual ficou em 30,5%. 70% dos alunos da rede pública do RJ terminam o ensino médio sem saber o básico em matemática, aponta estudo Reprodução TV Globo Outras cidades da Região Metropolitana também apresentaram resultados abaixo da média nacional, entre elas Duque de Caxias e São Gonçalo. Professor reclama de falta de estrutura Para o professor Matheus Pacheco, que trabalha na rede municipal de Nova Iguaçu, as condições de trabalho dificultam o ensino. "A gente se sente muito desvalorizado. Eu acho que é o maior sentimento que a gente tem aqui. As crianças não terem kit, lápis, caderno, é uma falta de respeito gigantesca conosco", comentou o professor. Ele também afirmou que os professores precisam improvisar para conseguir dar aulas. "Eu acho que a gente tem que fazer mágica aqui na rede. Às vezes pra dar uma boa aula". 70% dos alunos da rede pública do RJ terminam o ensino médio sem saber o básico em matemática, aponta estudo Reprodução TV Globo Segundo Pacheco, outro problema é a falta de tempo destinado ao planejamento das aulas. "A gente tem que ter tempo bom pra planejar aula pra esse aluno ter boa aula, tem que que ter bom kit pro aluno ter boa aula (...) Todas as brigas que a gente carrega é pra no final ter uma boa educação". Estado precisa apoiar municípios, diz ONG O Todos Pela Educação também apontou problemas na articulação entre o governo estadual e as redes municipais. Segundo a entidade, estados que conseguem melhorar seus indicadores de aprendizagem costumam exercer um papel de coordenação e apoio às prefeituras. "Na educação brasileira, a gente tem essa divisão de responsabilidades entre as prefeituras e o governo estadual, mas a gente vê que os estados que mais avançam, sejam nas escolas municipais, sejam nas escolas estaduais, eles têm um protagonismo Do Governo estadual, seja para apoiar os municípios, seja para apoiar as escolas que fazem, que estão sob a sua gestão direta." A entidade afirma que esse apoio ainda é insuficiente no Rio. "E aí isso o Rio de Janeiro tem pecado muito. Não há um programa de colaboração com as prefeituras para a educação efetivo, Que apoiem os municípios a realmente avançarem num ritmo mais forte, e também não há ações concretas na própria rede estadual para apoiar as escolas para aumentar esses indicadores de aprendizagem". O que dizem os citados A Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu afirmou que os dados do Todos Pela Educação também mostram avanços na aprendizagem da rede entre 2023 e 2025, principalmente nos anos iniciais. No 5º ano, o percentual de aprendizagem adequada chegou a 41,2% em Língua Portuguesa, alta de 2,6 pontos percentuais em relação a 2023. Em Matemática, o índice alcançou 30,5%, avanço de 7,8 pontos percentuais. A secretaria afirmou que os anos finais, especialmente o 9º ano, ainda apresentam desafios e que mantém ações de recomposição das aprendizagens, formação continuada, ampliação do quadro de professores, reforço e recuperação escolar, correção de fluxo e acompanhamento dos estudantes. A prefeitura também citou os programas Acelera Iguaçu e Se Liga, desenvolvidos em parceria com o Instituto Ayrton Senna. Segundo a secretaria, essas iniciativas reduziram de 60% para 36% o número de estudantes com nível baixo em Língua Portuguesa e aumentaram o hábito de leitura de 1,5 para 3,9 livros por aluno. Já a Prefeitura de São Gonçalo afirmou que houve avanço no Ideb em 2025. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota passou de 4,5 para 4,9. Nos anos finais, subiu de 3,9 para 4,2. A Secretaria de Educação reconheceu que ainda existem desafios, mas atribuiu a melhora ao fortalecimento da gestão pedagógica e a outras medidas adotadas para melhorar a qualidade do ensino. Para os próximos resultados, a prefeitura informou que está ampliando o Programa Educa SG, que realiza avaliações próprias da rede para definir estratégias de melhoria do ensino.
RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG
Piemonte Escrito em 21/08/2026
RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG Sete em cada dez estudantes da rede pública do Rio de Janeiro chegam ao fim do ensino médio sem apresentar aprendizado considerado adequado em matemática. Em Língua Portuguesa, o problema atinge mais de 40% dos alunos. Os dados fazem parte de uma análise divulgada nesta quinta-feira (20) pela Ong Todos Pela Educação, que avaliou os resultados de aprendizagem da rede pública no país. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O levantamento também mostra dificuldades importantes no ensino fundamental. Entre as maiores cidades brasileiras, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, aparece na última posição do ranking de aprendizagem da rede municipal nos anos finais do ensino fundamental. O estudo considera os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática. No caso de Nova Iguaçu, entre os alunos do 9º ano, apenas cerca de um quinto apresentou aprendizagem adequada em Língua Portuguesa. Em Matemática, o percentual ficou abaixo de 10%. RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG Reprodução TV Globo RJ ainda está abaixo da média nacional O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que o objetivo do estudo é analisar justamente a aprendizagem dos estudantes, considerada um dos principais indicadores da qualidade da educação. "O objetivo desse estudo foi focar no componente da aprendizagem, que é o componente mais importante, quando a gente olha para a qualidade da Educação", explicou. Segundo ele, o Rio de Janeiro ainda apresenta dificuldades para melhorar os indicadores. "O que chama muita atenção é que o Estado não tem conseguido evoluir na aprendizagem dos estudantes", completou. O levantamento aponta que o estado apresentou avanço em relação a 2023, mas continua abaixo da média nacional tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. Corrêa afirmou que o resultado está relacionado a uma sequência de gestões na área de educação. "Especialmente dos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. O Rio de Janeiro, com as condições que tem, e mesmo com os patamares que já teve, há 10 anos atrás, mostram que a gestão pública dos últimos anos no estado Foi muito ruim. Uma sequência de gestões de diferentes mandatos que trouxeram o estado, infelizmente, para essa posição que se encontra no indicador de aprendizagem", comentou. Nova Iguaçu na lanterna entre grandes cidades O resultado mais negativo do levantamento no estado aparece em Nova Iguaçu. Entre as cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes e as capitais analisadas, o município ficou em último lugar no ranking de aprendizagem da rede pública nos anos finais do ensino fundamental. No 9º ano, apenas cerca de 20% dos estudantes tiveram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa, enquanto em Matemática o índice ficou abaixo de 10%. Nos anos iniciais, o município também apresentou um dos piores resultados. No 5º ano, menos da metade dos alunos teve aprendizagem considerada adequada em Língua Portuguesa. Em Matemática, o percentual ficou em 30,5%. 70% dos alunos da rede pública do RJ terminam o ensino médio sem saber o básico em matemática, aponta estudo Reprodução TV Globo Outras cidades da Região Metropolitana também apresentaram resultados abaixo da média nacional, entre elas Duque de Caxias e São Gonçalo. Professor reclama de falta de estrutura Para o professor Matheus Pacheco, que trabalha na rede municipal de Nova Iguaçu, as condições de trabalho dificultam o ensino. "A gente se sente muito desvalorizado. Eu acho que é o maior sentimento que a gente tem aqui. As crianças não terem kit, lápis, caderno, é uma falta de respeito gigantesca conosco", comentou o professor. Ele também afirmou que os professores precisam improvisar para conseguir dar aulas. "Eu acho que a gente tem que fazer mágica aqui na rede. Às vezes pra dar uma boa aula". 70% dos alunos da rede pública do RJ terminam o ensino médio sem saber o básico em matemática, aponta estudo Reprodução TV Globo Segundo Pacheco, outro problema é a falta de tempo destinado ao planejamento das aulas. "A gente tem que ter tempo bom pra planejar aula pra esse aluno ter boa aula, tem que que ter bom kit pro aluno ter boa aula (...) Todas as brigas que a gente carrega é pra no final ter uma boa educação". Estado precisa apoiar municípios, diz ONG O Todos Pela Educação também apontou problemas na articulação entre o governo estadual e as redes municipais. Segundo a entidade, estados que conseguem melhorar seus indicadores de aprendizagem costumam exercer um papel de coordenação e apoio às prefeituras. "Na educação brasileira, a gente tem essa divisão de responsabilidades entre as prefeituras e o governo estadual, mas a gente vê que os estados que mais avançam, sejam nas escolas municipais, sejam nas escolas estaduais, eles têm um protagonismo Do Governo estadual, seja para apoiar os municípios, seja para apoiar as escolas que fazem, que estão sob a sua gestão direta." A entidade afirma que esse apoio ainda é insuficiente no Rio. "E aí isso o Rio de Janeiro tem pecado muito. Não há um programa de colaboração com as prefeituras para a educação efetivo, Que apoiem os municípios a realmente avançarem num ritmo mais forte, e também não há ações concretas na própria rede estadual para apoiar as escolas para aumentar esses indicadores de aprendizagem". O que dizem os citados A Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu afirmou que os dados do Todos Pela Educação também mostram avanços na aprendizagem da rede entre 2023 e 2025, principalmente nos anos iniciais. No 5º ano, o percentual de aprendizagem adequada chegou a 41,2% em Língua Portuguesa, alta de 2,6 pontos percentuais em relação a 2023. Em Matemática, o índice alcançou 30,5%, avanço de 7,8 pontos percentuais. A secretaria afirmou que os anos finais, especialmente o 9º ano, ainda apresentam desafios e que mantém ações de recomposição das aprendizagens, formação continuada, ampliação do quadro de professores, reforço e recuperação escolar, correção de fluxo e acompanhamento dos estudantes. A prefeitura também citou os programas Acelera Iguaçu e Se Liga, desenvolvidos em parceria com o Instituto Ayrton Senna. Segundo a secretaria, essas iniciativas reduziram de 60% para 36% o número de estudantes com nível baixo em Língua Portuguesa e aumentaram o hábito de leitura de 1,5 para 3,9 livros por aluno. Já a Prefeitura de São Gonçalo afirmou que houve avanço no Ideb em 2025. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota passou de 4,5 para 4,9. Nos anos finais, subiu de 3,9 para 4,2. A Secretaria de Educação reconheceu que ainda existem desafios, mas atribuiu a melhora ao fortalecimento da gestão pedagógica e a outras medidas adotadas para melhorar a qualidade do ensino. Para os próximos resultados, a prefeitura informou que está ampliando o Programa Educa SG, que realiza avaliações próprias da rede para definir estratégias de melhoria do ensino.
