Ex-comandante é condenado por naufrágio de submarino da Argentina que matou 44 tripulantes

Piemonte Escrito em 08/07/2026


Foto de arquivo, feita em 2014, mostra o submarino ARA San Juan em Buenos Aires Argentine Navy/Handout via Reuters A Justiça argentina condenou o ex-comandante da Força de Submarinos Claudio Villamide a três anos de prisão pelo naufrágio, em 2017, do submarino ARA San Juan, que matou 44 tripulantes, segundo a sentença lida pelo tribunal nesta quarta-feira (8). Apesar da sentença, ele não deverá ser detido. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A embarcação adernou e implodiu no Atlântico Sul, em uma das maiores tragédias da Marinha Argentina em tempos de paz. Segundo a ação, a embarcação tinha iniciado sua missão de patrulha em frente à costa argentina sem estar em condições ótimas para a navegação. O submarino tinha uma restrição de imersão de cem metros porque tinha testes pendentes depois de cumprir os reparos de meia vida. O tribunal federal da província de Santa Cruz julgou Villamide culpado de negligência e descumprimento dos deveres de funcionário público, enquanto outros três comandantes navais foram absolvidos. A corte condenou por unanimidade o ex-comandante de 62 anos e ex-chefe da divisão de submarinos da Marinha, e lhe impôs uma pena condicional de três anos que, a princípio, evita sua reclusão. A condenação imposta pelo tribunal não representa a prisão efetiva do ex-comandante naval, que deverá informar seu domicílio e se apresentar à justiça pelo período que durar sua sentença. Foram absolvidos os ex-capitães Luis Enrique López Mazzeo, Héctor Aníbal Alonso e Hugo Correa — os únicos, junto com Villamide, que foram levados a julgamento em um processo que contou com uma centena de testemunhas. Punição 'insuficiente' "Os familiares vão apelar das absolvições e reivindicar penas mais severas", disse a advogada dos demandantes Valeria Carreras, representante da maioria dos familiares das vítimas, que consideraram a punição da corte "insuficiente". As apelações serão apresentadas depois que o tribunal divulgar os fundamentos da sentença, em 21 de agosto. "O objetivo será revisar tanto as absolvições quanto a quantidade da pena imposta a Villamide", explicou Carreras. Apesar de tudo, a advogada deu destaque à sentença. "É importante ter podido provar a culpa de Villamide. Foram 44 mortes evitáveis e é uma mensagem às Forças Armadas e ao Estado para que cuidem dos servidores da pátria", acrescentou. De todo modo, ela admitiu "certa decepção" com as absolvições dos outros réus. O Ministério Público sustentou que Villamide não levou em conta "as condições deficientes de prontificação" do submarino e por isso tinha pedido uma pena de cinco anos de prisão. A ação, que representa as famílias das vítimas, 43 homens e uma mulher, tinha pedido penas de prisão para os quatro réus. Investigações inconclusivas As causas do naufrágio seguem sem esclarecimento. O submarino reportou uma avaria e um princípio de incêndio causado por um curto-circuito no quarto de baterias. Em 15 de novembro de 2017, submergiu além dos 100 metros e implodiu. Uma operação internacional participou das buscas pela embarcação quando ainda havia esperanças de encontrar seus tripulantes vivos depois que a Marinha argentina divulgou que o submarino tinha sofrido uma "falha nas comunicações". No entanto, os destroços do submarino foram encontrados um ano depois a 500 km da costa argentina e a cerca de 900 metros de profundidade no Atlântico Sul, sem nunca terem sido resgatados. sa/lm/vel/mvv/am