Com graça e elegância, Patrick Stewart revitalizou 'Star Trek' e ajudou a fundar era dos super-heróis no cinema

Piemonte Escrito em 30/10/2026


Patrick Stewart em cena de 'Star Trek: A nova geração' Divulgação Poucos atores flutuaram tão bem entre o reconhecimento pelos clássicos nos palcos britânicos e fenômenos culturais como a ficção científica e adaptações de quadrinhos para o cinema quanto sir Patrick Stewart. O britânico, que morreu aos 86 anos nesta quarta-feira (28), é reconhecido como uma das maiores lendas do teatro ao vencer duas vezes o prêmio Olivier, o mais importante da Inglaterra. Mas, ao longo de uma carreira de décadas, deixou marcas profundas na cultura pop mundial ao usar a graça e a elegância de um ator classicamente treinado pela Royal Shakespeare Company para revitalizar "Star Trek", nos anos 1980, e ajudar a moldar o início da era de sucesso dos super-heróis nos cinemas com "X-Men", no começo dos anos 2000. Morre Patrick Stewart, de 'Star Trek' e 'X-Men'. Relembre sua carreira Faça acontecer Stewart ainda era um desconhecido em Hollywood quando foi escolhido para protagonizar a tentativa de resgatar a extinta série de ficção científica "Star Trek" na forma de uma derivada, mais de uma década depois do fim da original. Seu sucesso como o Capitão Jean-Luc Picard em "A nova geração", lançada em 1987, não apenas mostrou que a franquia poderia existir sem o elenco encabeçado por William Shatner e Leonard Nimoy, mas apresentou os ideais utópicos da Frota Estelar para — com o perdão da expressão — uma nova geração. Ao contrário de Kirk, que era apresentado como um herói de ação, o Picard do britânico era um diplomata e um intelectual, e exigia do ator uma gravidade dramática elevada para sustentar as aventuras de uma série que levava sua tripulação para novos planetas a cada episódio. Considerada por muitos como até melhor do que a original, "A nova geração" ficou no ar por sete temporadas e deu origem a quatro filmes no cinema, expandindo as fronteiras da franquia até o começo dos anos 2000. Quase duas décadas depois de se despedir da derivada, Stewart fez parte de um segundo processo de revitalização da marca ao voltar ao personagem em "Star Trek: Picard". Lançada em 2020, a série focada no capitão se juntou a outros sucessos, como "Discovery" e "Strange new worlds" em uma retomada da "Jornada nas estrelas" para a era do streaming. Hugh Jackman, James Marsden, Patrick Stewart, Halle Berry e Famke Janssen em cena de 'X-Men: O filme' Divulgação A mim, meus X-Men O comando da Enterprise gabaritou Stewart para liderar um projeto ainda mais ousado. Como o Professor Xavier em "X-Men" (2000), o ator comandava uma equipe de superheróis mutantes na primeira grande produção que adaptava os quadrinhos da Marvel. O sucesso do filme, com um tom mais sério e realista, pode ser considerado o pontapé inicial da era do gênero cinematográfico das HQs. Primeiro, por mostrar para a editora, que se reerguia de um momento financeiro delicado na década anterior, o potencial de suas adaptações — além de provar que era possível reunir em um só filme diversos personagens super poderosos, como aconteceria com o Universo Cinematográfico da Marvel (ou MCU, como é a sigla em inglês), anos depois. Além disso, também serviu como laboratório para um jovem Kevin Feige, então produtor associado da obra. Hoje presidente dos Estúdios Marvel e Diretor de Operações da Marvel, o executivo aprendeu na produção o equilíbrio entre respeito aos quadrinhos e mudanças narrativas que guiam todo o MCU. A participação de Stewart pode parecer irrelevante mais de 26 anos depois, mas a presença de uma estrela respeitada ajudou a tirar o projeto do papel. Depois de aparições como o Professor Xavier em oito filmes, o britânico ainda deve interpretar o personagem uma nona e última vez em "Vingadores: Doutor Destino", que estreia em 16 de dezembro com a delicada missão de revitalizar — novamente — todo um gênero.