Atleta paralímpica do ES decide amputar perna após 12 cirurgias: 'Liberdade de viver de novo'

Piemonte Escrito em 08/10/2026


Atleta paralímpica do Brasil amputa perna após 12 cirurgias: 'Liberdade de viver de novo' Após passar por 12 cirurgias desde a adolescência, a atleta paralímpica Luiza Fiorese decidiu amputar a perna e iniciar uma nova fase da vida. Natural do Espírito Santo, a jogadora de vôlei sentado recebeu alta no domingo (4) e contou, com exclusividade ao g1, como tem sido a adaptação após o procedimento. Medalha de ouro no Mundial da Bósnia, em 2022, e bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, Luiza passou por uma amputação transfemoral, realizada logo acima do joelho. No final de setembro, Luiza publicou um vídeo nas redes sociais contando sobre o que a levou a tomar essa decisão. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Para ela, a cirurgia representa o fim de um ciclo marcado por procedimentos médicos e o começo de uma rotina com mais liberdade e qualidade de vida. "Está sendo muito mais dinâmico e livre, mais fácil fazer as coisas do dia a dia. Não quero me colocar no lugar de romantizar a amputação, mas para mim está sendo muito bom. É como se tivesse tirado um peso de mim, e isso me deixou mais leve em todos os sentidos", relatou. Do câncer à decisão pela amputação A história de Luiza com os procedimentos médicos começou aos 15 anos, quando ela foi diagnosticada com um osteossarcoma, tumor que atinge os ossos. No caso dela, o câncer foi encontrado no fêmur, o maior osso do corpo humano, localizado na coxa. Após o tratamento, parte do fêmur esquerdo da atleta precisou ser substituída por uma endoprótese, um implante cirúrgico usado para substituir parte ou a totalidade de um osso. Em junho deste ano, Luiza passaria por uma nova troca da endoprótese. O implante antigo foi retirado e um espaçador foi colocado no local para preparar a cirurgia. Durante esse período, porém, o espaçador se quebrou enquanto a atleta se movimentava na cama. O problema provocou dores e novas complicações. Atleta paralímpica do ES, Luiza Fiorese, decide amputar perna após 12 cirurgias: 'Liberdade de viver de novo' Reprodução/Instagram Foi quando o médico apresentou duas possibilidades à paciente: colocar uma nova endoprótese, que precisaria ser substituída novamente cerca de dez anos depois, ou realizar a amputação, que poderia ser a última cirurgia da vida dela. Luiza contou que a possibilidade de passar novamente por anos de procedimentos fez com que ela refletisse sobre a vida que desejava ter no futuro. A decisão foi tomada após conversar com a família, o noivo, amigos e médicos. "Conquistei grandes coisas com a minha perna e tenho um apego emocional por tudo o que vivemos 'juntas'. Aos 29 anos, estou mais madura. Se eu tivesse feito aos 22 anos, isso influenciaria no meu bem-estar e autoestima. Hoje, tenho a tranquilidade de saber que tomei a decisão certa", afirmou. Médico conseguiu preservar parte da perna A jogadora de vôlei explicou que, como o osso da coxa era muito curto, a amputação normalmente seria realizada na altura do quadril. O médico, porém, aproveitou a parte saudável dos ossos abaixo do joelho. Eles foram reposicionados e unidos à parte restante do fêmur com uma placa, permitindo que a amputação ficasse mais próxima do joelho. "Meu médico fez uma 'obra de arte' [...] Essa foi a minha maior felicidade, porque eu tinha muito medo do tamanho que ficaria a amputação, já que quanto menor, mais difícil é protetizar. Ele conseguiu o tamanho ideal. Desde que acordei e vi que deu certo, estou feliz", contou. A recuperação e a adaptação ainda estão no início. Mesmo assim, Luiza já percebe mudanças positivas na rotina. Antes da cirurgia, ela estava andando com a ajuda de muletas havia três meses. Segundo a atleta, as atividades do dia a dia ficaram mais fáceis depois da amputação. 'Liberdade de viver de novo' Para Luiza, a amputação não representa uma perda. Ela afirmou que o procedimento trouxe a possibilidade de recuperar a liberdade. A possibilidade da amputação já havia sido pensada anteriormente, mas a atleta disse que foi importante ela se preparar psicologicamente e amadurecer primeiro. "Eu não vejo a amputação como uma coisa que me tirou algo. Eu vejo como algo que me deu liberdade de viver de novo", disse. Atleta paralímpica do ES, Luiza Fiorese, decide amputar perna após 12 cirurgias: 'Liberdade de viver de novo' Reprodução/Instagram A atleta também defende que a amputação seja tratada com mais naturalidade e que as necessidades das pessoas com deficiência sejam consideradas, inclusive os impactos emocionais, familiares e financeiros e o alto custo das próteses. "A vida não para com amputação. Falo disso no lugar da menina de 15 anos que teve que colocar uma endoprótese. Minha vida não parou ali, só se multiplicou. Conquistei coisas que jamais imaginei conquistar", relembrou. Novas rotinas Luiza passou pelo procedimento em São Paulo, mas pretende concluir a reabilitação perto dos pais e dos cachorros, no sítio da família em São Roque, comunidade rural de Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo. “Não me assusta [a mudança de vida], porque eu sei que o ser humano é feito para se adaptar. Eu sei que vai ter suas dificuldades, seus momentos difíceis, mas também vai ter coisas legais, novas e diferentes que eu vou descobrir. Eu sei que a gente tem essa capacidade de se adaptar.” Os primeiros objetivos são recuperar a mobilidade, andar bem e voltar a ter qualidade de vida. Depois, Luiza quer viajar. Ela contou que precisou cancelar diversos passeios por causa das cirurgias e das complicações. Agora, pretende conhecer novos destinos ao lado da família e das amigas. Uma das mudanças que já espera experimentar é durante as viagens de avião. Como não conseguia dobrar o joelho, tinha dificuldade para se acomodar nos assentos. "Eu tô doida para ver como vai ser entrar num avião agora que eu posso sentar reto numa cadeira e só ir", contou, animada. Apoio do noivo Luiza também contou com o apoio do noivo, Gabriel Garcia, que também é atleta. Ele a pediu em casamento em fevereiro deste ano. Segundo a atleta, Gabriel ajudou a dar segurança para que ela tomasse a decisão pensando no próprio bem-estar. "Ele me mostrou que nada mudaria entre nós e que continuaria me achando linda, o que me deu paz para decidir pensando só em mim", disse. O casamento ainda não tem data marcada. A definição depende das programações esportivas dos dois, incluindo as próximas edições das Olimpíadas e Paralimpíadas. Jogadora de vôlei sentado Luiza Fiorese e o noivo Gabriel Garcia, que também é atleta Redes sociais Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo