Adolescentes da Fundação Casa chegam à semifinal da Olimpíada de História da Unicamp

Piemonte Escrito em 12/08/2026


Adolescente da Fundação Casa durante estudos Eliel Nascimento Seis adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação Casa chegaram à semifinal da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), promovida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As equipes dos CASAs Terra Nova, em Itaquaquecetuba, e Caraguatatuba estão entre as cerca de 9,5 mil equipes classificadas para a Fase 5 da competição. Ao todo, mais de 64 mil equipes de todo o país participaram da disputa. É a primeira vez que duas equipes da fundação chegam simultaneamente a essa etapa da olimpíada. Cada grupo é formado por três adolescentes. No CASA Terra Nova, os participantes têm 14, 15 e 16 anos. Já em Caraguatatuba, a equipe é formada por adolescentes entre 15 e 18 anos. Todos os seis são meninos. Antes da competição, alguns deles já demonstravam interesse por História. Outros passaram a se interessar mais pela disciplina a partir das aulas e das atividades preparadas pelos professores. No Terra Nova, por exemplo, um dos adolescentes desenvolveu especial curiosidade pelo período medieval. Para um dos jovens da unidade, a preparação para a olimpíada fez crescer uma relação que já existia com a disciplina. “Foi muito legal, porque sempre gostei de História e o professor Lucas, com suas explicações, sempre me incentivou. Fiquei muito satisfeito por conseguir passar de fase”, afirmou o adolescente. A participação também levou os participantes a conhecerem histórias de mulheres que enfrentaram obstáculos para conquistar espaço na ciência e na educação. O tema central desta edição da ONHB é “Mulheres na Ciência”. Entre as personagens estudadas pelo grupo do CASA Terra Nova, uma das que mais despertou interesse foi Nise da Silveira. Médica psiquiatra alagoana, ela questionou métodos utilizados no tratamento psiquiátrico de sua época, como o eletrochoque, e defendeu o uso da terapia ocupacional e da expressão artística no cuidado em saúde mental. As trajetórias dessas mulheres chamaram a atenção dos jovens principalmente pelas dificuldades enfrentadas ao longo da vida e pela capacidade de conquistar espaço e reconhecimento mesmo diante dos obstáculos. No CASA Caraguatatuba, os três adolescentes já tinham interesse por História antes da olimpíada e foram selecionados pelo professor para representar a unidade. Entre as personagens que mais chamaram a atenção está Enedina Alves Marques, engenheira paranaense e pioneira em sua área de atuação. O contato com essas histórias também levou os adolescentes a refletir sobre as barreiras enfrentadas pelas mulheres para ter acesso ao ensino superior e ocupar espaços profissionais. Para eles, conhecer essas trajetórias ajudou a perceber que parte desses desafios ainda repercute na sociedade. Cinco fases até a semifinal Jovem escrevendo em caderno Fundação Casa/Divulgação Para chegar à Fase 5, as equipes passaram por cinco etapas online, que envolveram leitura de documentos, análise de fontes históricas e resolução de tarefas investigativas. Ao longo da preparação, os adolescentes estudaram, discutiram conteúdos e trabalharam coletivamente, em uma experiência que, para todos, foi a primeira participação em uma competição acadêmica nacional. No Terra Nova, o professor responsável preparou os estudantes com conteúdos, debates e análise de documentos semelhantes aos utilizados na olimpíada. A preparação também acabou despertando o interesse de outros adolescentes da unidade, que passaram a acompanhar as discussões sobre História. Em Caraguatatuba, a notícia da classificação foi recebida com entusiasmo pelos adolescentes. O certificado impresso entregue aos participantes também marcou a conquista e simbolizou o resultado do esforço realizado ao longo das etapas. Agora, as duas equipes seguem na disputa pela classificação para a etapa presencial. A Fase 6 da ONHB está prevista para o fim de agosto, no campus da Unicamp, em Campinas. Educação e aprendizagem na Fundação Casa Jovem da Fundação Casa durante estudos Marcelo Machado O desempenho na Olimpíada de História ocorre em meio à evolução de indicadores educacionais da Fundação Casa. Segundo a instituição, o índice de evolução da aprendizagem entre adolescentes em processo de alfabetização passou de 44,68%, em 2023, para 77,11%, em 2025. Em 2026, o indicador chegou a 81,33%. A fundação também informa que foram emitidos mais de 9 mil certificados em cursos profissionalizantes somente neste ano. Para o presidente da Fundação Casa, Acacio Miranda, o resultado na olimpíada demonstra o impacto da educação na trajetória dos adolescentes. “Quando um adolescente chega à semifinal de uma olimpíada nacional, ele passa a se enxergar de outro modo: como alguém capaz de estudar, argumentar, pesquisar e produzir conhecimento. Esse resultado mostra que a educação, quando levada a sério dentro da socioeducação, abre horizontes concretos e ajuda a construir pertencimento, autoestima e projeto de vida”, afirma. A Fundação Casa é vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania e executa medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).