CRM do Paraná abre sindicância e médico que implantou prótese em joelho errado de idosa pode ter registro profissional cassado

Piemonte Escrito em 09/10/2026


Mulher acorda após cirurgia e percebe que médicos implantaram prótese no joelho errado O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe médica que implantou uma prótese no joelho errado da idosa Marilda da Silva, de 72 anos. O caso foi registrado no Hospital da Cruz Vermelha Brasileira, em Curitiba. Veja o que diz o hospital abaixo. Em nota, o CRM-PR informou que, caso seja comprovada violação da ética no caso, a depender da gravidade, o médico que realizou a cirurgia pode ser punido com advertências e até ter o registro profissional cassado. "O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que está acompanhando o caso e que instaurou processo de sindicância para apurar o ocorrido. Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas", informou o CRM-PR em nota. O Conselho também informou que a sindicância está sob sigilo, conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional (Resolução CFM nº 2.306/2022). Até o momento, nem o CRM e nem o hospital identificaram qual foi o profissional responsável pela cirurgia. Nas redes sociais, alguns médicos da unidade se manifestaram, alegando que não foram eles quem operaram a idosa. Idosa Marilda da Silva se recupera de operação no joelho errado, em Curitiba Fotos: cedidas pela família ao g1/Arquivo Pessoal O Hospital da Cruz Vermelha alegou, também por nota, que iniciou uma operação interna para esclarecer o que aconteceu durante a cirurgia e quais foram os procedimentos adotados pela equipe. Ainda, o hospital disse que está acompanhando a paciente e dando todo o suporte necessário. "A instituição acompanhou a alta hospitalar e a evolução inicial da paciente, mantendo contato com seus familiares e adotando as providências necessárias à continuidade da assistência. Considerando a interrupção da relação médico-paciente com o profissional anteriormente responsável, o Hospital está programando a continuidade do acompanhamento por médico ortopedista de seu corpo clínico, incluindo a avaliação e a programação do tratamento fisioterapêutico, no momento oportuno, conforme indicação médica", afirmou o hospital. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Idosa é internada para operar joelho, mas acorda com cirurgia na perna errada Marilda da Silva, de 72 anos, foi internada no dia 30 de setembro, no Hospital da Cruz Vermelha, em Curitiba, para fazer uma cirurgia de artroplastia no joelho esquerda, pelo convênio. Ao acordar da sedação, porém, percebeu que estava com o joelho direito operado. 🔍A artroplastia é um procedimento que consiste em colocar uma prótese de metal e polietileno em superfícies ósseas e de cartilagens que estejam desgastadas. A equipe médica alegou que a idosa, sedada, insistiu que o joelho direito deveria ser o operado. O relato é da filha da paciente, Sabrina da Silva. "Ele me falou que a minha mãe, sedada, quando ela estava com sedação, ela foi muito insistente e ela quis mudar o joelho na hora ali. E segundo ele, isso é comum acontecer, e se o paciente quer trocar eles trocam ali na hora, não tem protocolo a seguir", contou Sabrina. "Não é o paciente que deveria decidir isso, não são os familiares, é o médico, nesta hierarquia, ele é o responsável, ele que comanda a cirurgia", disse em vídeo publicado nas redes sociais. Idosa de 72 anos teve joelho errado operado em hospital particular de Curitiba. Foto: Arquivo Pessoal LEIA MAIS: Investigação: polícia culpa motoristas de caminhão e micro-ônibus da Saúde por acidente com 23 mortos no PR Emocionante: internada em centro de cuidados paliativos em Curitiba, mulher ensina receita de família para equipe do hospital Morte de menino em escola: 'não acredito que houve intenção', diz delegado sobre brincadeira que terminou com morte de menino em escola Sabrina também relatou que não foi feita nenhuma marcação para sinalizar qual membro deveria ser operado. Segundo ela, o médico argumentou que a equipe fez um exame de imagem antes de iniciar a cirurgia, mas que o documento não ficou salvo no sistema e que ela não pôde ter acesso. Sabrina afirmou que já foi chamada pelo hospital para uma reunião e que recorreu a um advogado para tratar da situação. Assista aos vídeos do g1 Paraná: Leia mais no g1 Paraná.