Lula e Alcolumbre reabrem diálogo de olho em 2026 e no pós-eleição

Piemonte Escrito em 19/08/2026


Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidente do Senado, Davi Alcolumbre Ricardo Stuckert / PR A reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não representa uma reconciliação afetiva. O movimento é marcado por interesses dos dois lados e ocorre a menos de dois meses das eleições de 2026. Os dois estavam afastados desde a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, Alexandre de Moraes entrou em campo e ofereceu um jantar em sua casa para Lula e Alcolumbre. Mais importante do que o cardápio, porém, é entender o que estava sobre a mesa e também o que não foi dito, mas que faz parte dessa costura. 'Diálogo restabelecido', diz Alcolumbre sobre reunião com Lula O prato principal foi a eleição de 2026. E o que não foi servido nem falado mas estava no cardápio- acomodação do sistema pós eleição. Lula disputa um quarto mandato e precisa chegar à campanha com bandeiras que mostrem alguma novidade. E parte importante dessas entregas depende do Congresso. A PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6x1 são dois exemplos: assuntos com forte apelo popular, presentes no debate cotidiano e que o governo quer transformar em vitrine eleitoral. Agora no g1 Para Lula, o cenário ideal é aprovar essas propostas. Mas, mesmo que não consiga, é importante politicamente poder dizer que tentou e eventualmente atribuir ao Congresso a responsabilidade por um bloqueio. Para qualquer uma dessas estratégias, porém, ele precisa conversar com quem controla a pauta do Senado. E hoje esse personagem é Davi Alcolumbre. No jantar, houve também uma espécie de conversa sobre o poder de cada um. Segundo o blog apurou, Alcolumbre lembrou a Lula a quantidade de pedidos de CPI que chegam às suas mãos e que ele não coloca para andar. Era uma maneira de mostrar o tamanho do poder que exerce sobre a agenda do Senado. Lula, por sua vez, reclamou da influência do Senado sobre as agências reguladoras, especialmente de indicações que, na avaliação do governo, nem sempre obedecem a critérios técnicos. E o Messias? Apesar da retomada do diálogo, não houve, segundo apuração do blog, um acordo para garantir a aprovação de Jorge Messias para o STF após as eleições. O governo não desistiu dele, mas essa promessa não saiu do jantar. Sobre o assunto, o que foi dito é que o governo havia sido avisado de que Messias seria derrotado. Ou seja: mais do que resolver o passado, o jantar serviu para reconstruir uma ponte para o futuro. E a foto dessa reaproximação também importa. Ela transmite a mensagem de que os chefes dos Poderes voltaram a conversar e estão dispostos a encontrar caminhos para pautas que afetam a sociedade. Para Lula, isso tem valor institucional, mas também eleitoral. Do lado de Alcolumbre, há cálculo eleitoral igualmente. Ele sabe que, numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro, seu projeto de permanecer no comando do Senado enfrentaria um obstáculo importante: Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, que também tem interesse na presidência da Casa. Portanto, essa movimentação é também parte do reposicionamento do Centrão diante dos diferentes cenários para 2027. Existe ainda um último ingrediente, que não aparece oficialmente no cardápio, mas está presente nos bastidores: a expectativa de acomodação do sistema depois da eleição. Há políticos e autoridades acompanhando com preocupação o avanço de investigações, como as relacionadas ao caso Master, e torcem e trabalham para que o sistema salve o sistema apos as eleições. Ou seja: arquivar, anular ou esfriar investigações de grande repercussão nacional. GloboPop: veja os vídeos do palco da Andréia Sadi