Guajajara repudia fala de Eduarda Campopiano sobre colonização e canibalismo e diz que discurso desumaniza povos indígenas

Piemonte Escrito em 05/10/2026


Sônia Guajajara é reeleita deputada federal por SP Rony eloy A deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL-SP) afirmou nesta segunda-feira (5) que repudia as declarações da deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) sobre a colonização do Brasil. A assessoria jurídica de Guajajara irá registrar uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (6) e cobrará providências sobre os encaminhamentos dados ao boletim de ocorrência registrado pela rapper indígena Katú Mirim à época dos fatos. Meses antes da eleição, uma polêmica envolvendo declarações de Eduarda Campopiano sobre a colonização do Brasil ganhou projeção nacional. Durante a participação em um podcast, a então vereadora afirmou que agradecia a Deus pela chegada dos colonizadores ao país e associou povos indígenas a práticas como canibalismo e sacrifícios. No debate, promovido pelo RedCast, Campopiano declarou: "Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias". Em seguida, afirmou que a colonização teria interrompido práticas que atribuiu aos povos indígenas, dizendo: "Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: 'Galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva...'". A controvérsia levou a artista e liderança indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência por preconceito de raça ou cor. Segundo o registro policial, ela afirmou que as declarações ofenderam a cultura, a história e os povos indígenas. Nota de Sônia Guajajara "Em razão das declarações da então vereadora Eduarda Campopiano, a assessoria jurídica da deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) irá registrar uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) e cobrará providências sobre os encaminhamentos dados ao boletim de ocorrência registrado pela rapper indígena Katú Mirim à época dos fatos. Associar indiscriminadamente os povos indígenas ao canibalismo e à violência contra crianças é uma forma de desumanização. Esse discurso alimenta o preconceito e reproduz a lógica usada, durante séculos, para justificar a violência contra nossos povos. Exaltar a violência colonial ofende a memória dos povos originários e transforma a fé em instrumento de intolerância. O exercício de cargo público impõe o compromisso com a responsabilidade institucional, o respeito à diversidade e o cumprimento das garantias fundamentais, incluindo a liberdade religiosa e a proteção aos direitos das minorias. Pelos fatos, a deputada Sônia Guajajara manifesta público e veemente repúdio às declarações feitas por Eduarda, que contêm manifestações de teor discriminatório e ofensivo aos povos originários, e reafirma seu compromisso intransigente com a defesa dos direitos dos povos indígenas, a preservação do Estado Democrático de Direito e o enfrentamento contínuo a todas as formas de intolerância e discriminação. Brasília, 5 de outubro de 2026. Deputada Federal Sônia Guajajara"