Policial penal tem condenação mantida por morte de jovem na Expoacre 2023 em Rio Branco, decide Justiça

Piemonte Escrito em 22/05/2026


Raimundo Nonato Veloso da Silva foi condenado a quase 20 anos de prisão e também perdeu cargo de policial penal Reprodução O policial penal Raimundo Nonato Veloso Neto, condenado em setembro do ano passado pela morte do jovem Wesley Santos da Silva durante a Expoacre 2023, teve o recurso negado pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). A decisão foi tomada por unanimidade nessa quinta-feira (21), e manteve a pena de 19 anos e 10 meses de prisão. A defesa do policial havia pedido a anulação do julgamento popular sob a alegação de que a condenação dos jurados contrariava as provas reunidas no processo. Além disto, apontou supostas contradições na decisão tomada pelo Conselho de Sentença. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ao analisar o recurso, os desembargadores da Câmara Criminal entenderam que os jurados decidiram com base em uma das versões apresentadas durante o julgamento e que não havia irregularidades capazes de anular a condenação. O g1 entrou em contato com o advogado Wellington Silva, que atua na defesa de Raimundo Nonato, para saber se haverá novo recurso contra a condenação e aguarda retorno. Baleado na Expoacre por policial civil morre na UTI do PS LEIA MAIS: Policial penal é condenado por morte de jovem na Expoacre 2023; 'Deus viu nosso choro', diz mãe da vítima Família de jovem morto na Expoacre acompanha júri de policial penal no AC: 'Dois anos de dor e sofrimento’ Jovem morto por policial penal em bar tinha ido à Expoacre comemorar o aniversário, diz namorada Com a decisão, ficou mantida a condenação do policial penal pelos crimes de homicídio qualificado contra Wesley Santos, lesão corporal grave contra a namorada da vítima, Rita de Cássia, e importunação sexual. Raimundo Nonato Veloso foi pronunciado a júri popular por homicídio em agosto de 2024. Ele também perdeu o cargo. Em abril de 2025, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre também negou um pedido de liberdade para o policial penal. Julgamento durou dois dias O julgamento de Raimundo Nonato ocorreu nos dias 17 e 18 de setembro de 2025, em Rio Branco, e foi acompanhado por familiares e amigos de Wesley Santos. Durante o júri popular, 19 testemunhas foram ouvidas. A família da vítima compareceu ao fórum usando camisetas com a foto do jovem e frases pedindo justiça. Em diversos momentos, os parentes se emocionaram ao lembrar da morte de Wesley. O pai do jovem, Rivaldo Jaime, chegou a passar mal antes do início do julgamento e precisou ser amparado por familiares. Pais de Wesley Santos da Silva, que foi morto por policial penal na Expoacre, compareceram à audiência Murilo Lima/Rede Amazônica Acre Iza Souza, mãe do jovem, falou à imprensa logo após a condenação que o resultado era o esperado pela família e que ela e os parentes se apegaram à fé religiosa para atravessar os dois dias de júri. "A gente não aceitava menos que isso, porque o Raimundo Nonato tinha o melhor advogado, mas o nosso advogado era aquele lá de cima. Desde a minha primeira entrevista eu falei que aqui se faz, aqui se paga. Eu não estava ameaçando ele [Raimundo Nonato], eu estava dizendo que Deus ia cobrar dele, e Deus cobrou", declarou. Durante o julgamento, a defesa sustentou que o policial penal agiu em legítima defesa. Segundo o advogado, laudos periciais e depoimentos de policiais militares reforçariam essa versão. Já a assistência de acusação e a família de Wesley defenderam que o crime ocorreu após o policial assediar a namorada da vítima durante a festa. Relembre o caso Wesley Santos morreu no dia 8 de agosto de 2023 após ser baleado na madrugada do dia anterior. Ele estava acompanhado da namorada Rita de Cássia, que também foi ferida com vários disparos, quando houve uma confusão dentro do Parque de Exposições Wildy Viana. Em outubro do mesmo ano, o policial teve a denúncia do Ministério Público aceita pela Justiça e virou réu no processo. Wesley comemorava o aniversário de 20 anos com a namorada e amigos na noite em que foi morto pelo policial. VÍDEOS: g1